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Cotas raciais: reitor da USP diz que vai mudar análise de pretos e pardos

Aluno processou a universidade depois de perder vaga por ser considerado branco

Carlos Carlotti, reitor da USP
Carlos Carlotti, reitor da Universidade de São Paulo, acredita que entrevistas presenciais evitarão mais polêmicas com cotas | Foto: Cecilia Barros/USP Imagens

O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Carlotti Júnior, disse que a instituição vai “debater para corrigir e aprimorar” o processo de análise de estudantes que se declaram pretos ou pardos para ingressar na instituição pelo sistema de cotas raciais. Ele falou sobre o tema nesta segunda-feira, 4.

Segundo o reitor, uma das medidas que a USP deve adotar, em breve, é a padronização das entrevistas em modelo presencial. Atualmente, as entrevistas são feitas virtualmente.

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Leia mais: “Mais de 200 alunos recorreram contra decisão da USP de negar autodeclaração em 2024”

No atual protocolo, os candidatos fazem uma autodeclaração quando se inscrevem no processo seletivo. Posteriormente, para evitar fraudes, comissões da USP avaliam se a informação é verdadeira.

“São cerca de 200 candidatos por ano nessa situação”, afirma Carlotti Júnior, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. “É mais barato arcar com o custo das viagens do que deixar qualquer dúvida no ar e expor a instituição.”

Aluno processa a USP

Na semana passada, um aluno aprovado por cotas raciais na Faculdade de Direito da USP entrou com uma ação judicial contra a instituição depois de perder a vaga por não ter sido considerado pardo. Ele obteve liminar para reverter a decisão. O caso gerou intenso debate dentro e fora da universidade.

Glauco Dalalio do Livramento, 17, se declarou pardo, mas três comissões da USP encarregadas de analisar a veracidade das informações prestadas discordaram.

Leia mais: “Justiça manda USP matricular estudante de direito não considerado pardo”

As duas primeiras avaliaram fotografias do candidato e uma terceira, a comissão de heteroidentificação, procedimento para validar ou não a autodeclaração de alguém, conversou com ele em uma chamada de vídeo. “O candidato tem pele clara, boca e lábios afilados, cabelos lisos, não apresentando o conjunto de características fenotípicas de pessoa negra”, diz o parecer da comissão.

Glauco Dalalio, estudante aprovado na USP
Morador de Bauru (SP), Glauco Dalalio do Livramento passou em direito na USP no Largo de São Francisco | Foto: Reprodução/Instagram

Carlotti Júnior afirma que uma das mudanças deve prever que os candidatos se encontrem presencialmente com os integrantes da comissão de heteroidentificação, e não mais virtualmente, mesmo que isso gere um custo financeiro para a instituição.

“A ideia era facilitar a conversa com estudantes que moram longe de São Paulo”, explica o reitor. “O encontro face a face, no entanto, pode dar maior segurança tanto para o aluno quanto para a universidade.”

Dificuldades com critérios

Segundo Carlotti Júnior, outro grande desafio para a universidade será “acertar as réguas” dos critérios usados pelos integrantes das comissões que precisam avaliar quem é negro, quem é pardo e, neste grupo, quem está mais próximo do negro e quem está mais próximo do branco.

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7 comentários
  1. AMELIA MARIA SILVA MARSHALL
    AMELIA MARIA SILVA MARSHALL

    Se querem cotas, oq ie nem acho correto, o correto seria melhorar o ensino fundamental e secundário, ter um cursinho de apoio; mas, enfim, faça cotas sociais e não de raça, fácil de verificar.

  2. Ricardo Hugo da Silva e Oliveira
    Ricardo Hugo da Silva e Oliveira

    O que seria ser “pardo” no Brasil? Apenas o mulato?

  3. Christian
    Christian

    Nas entrevistas, irão usar cocares e colocar dreads nas madeixas.
    Cotas é muito mais prejudicial do que se pensa.
    Cotas representam o pior do racismo.

  4. Mario Hugo Ladeira Filho
    Mario Hugo Ladeira Filho

    O departamento de física vai colaborar.
    Vão passar pelo espectrofotômetro de chama.

  5. OTNIP M. IAVI
    OTNIP M. IAVI

    Isso é determinar que os pretos e pardos nao tem a mesma capacidade dos brancos, na verdade puro racismo. Basta sentar o traseiro e estudar dia e noite e assim em igualdade de condiçoes ser aprovado, pela inteligencia e nao pela cor da pele.

  6. Ivan Sérgio de Paula lima
    Ivan Sérgio de Paula lima

    Fim do sistemas de cotas. Simples assim. Educação de base igual para todos!

  7. Carlos Pommer
    Carlos Pommer

    Se a pessoa macho pode declarar-se mulher, oras, o pardo pode declarar-se da cor que quiser.

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