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CNJ aposenta desembargador do TJ-MS por vender sentença em troca de gado

Decisão aponta suspeita de facilitação de habeas corpus de um líder de crime organizado em troca de pagamento

CNJ
O desembargador Divoncir Schreiner Maran, do TJMS | Foto: Reprodução/ X

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu pela aposentadoria compulsória do desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. De acordo com o órgão, o magistrado facilitou a soltura de um líder do crime organizado no Estado, Gerson Palermo, em troca de pagamento em gado.

A decisão é de 10 de fevereiro e foi divulgada pela emissora CNN Brasil. Segundo a investigação interna, familiares do juiz fizeram movimentações financeiras suspeitas para a compra de lotes de terra e de gado. A apuração também teve acesso a prints de conversas entre assessores e terceiros ligados a Maran que mostram as orientações sobre o habeas corpus.

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A investigação do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) aberto pelo CNJ concluiu que as conversas e os registros no sistema processual do tribunal provam que o magistrado teria conhecimento prévio ao caso antes da distribuição do mandado de decisão na plataforma.

Mulher de desembargador interferia nas liminares

Além disso, a investigação mostrou que a companheira do magistrado interferiu nesse e em outros processos, fazendo a mediação de liminares. Já o filho mais velho, que seria o “principal operador” do desembargador, chegou a conduzir uma negociação de gado. Segundo o CNJ, ele também teria recebido “quantias consideráveis em espécie, nas mais variadas transações financeiras suspeitas, não sendo compatível com os rendimentos declarados”.

Segundo o relatório, o tamanho do lote e a quantidade de rebanho mostram indícios de lavagem de dinheiro por meio do que é chamado “gado de papel”. Apesar do valor do empreendimento ser compatível à capacidade econômica da família, a mulher do juiz, que fazia a mediação com os prestadores de serviço na construção do imóvel, pedia para que as formas de pagamento fossem sempre em dinheiro.

CNJ citou outras falhas do juiz no caso

O CNJ afirma que houve alteração no encaminhamento do processo de Palermo, já que a decisão ocorreu em plantão judiciário, sem a palavra do Ministério Público. Ainda conforme o órgão, a decisão que resultou na prisão domiciliar do sentenciado não cumpriu as medidas adequadas relacionadas à pandemia de covid-19.

Palermo poderia cumprir a pena em casa se tivesse alguma comorbidade comprovada em laudo médico, o que não ocorreu. Além disso, ele respondia por crimes violentos e graves, o que não lhe dava o direito ao benefício. Ele cumpria uma sentença de 126 anos por tráfico de drogas, mas, desde o início do cumprimento da pena em casa, está foragido.

O desembargador também teria terceirizado a assinatura de algumas decisões por meio do compartilhamento de token que acessa plataforma judicial. Isso, segundo o conselho, representa total responsabilidade do magistrado em relação a fraudes e adulterações de documentos.

O conselheiro João Paulo Schoucair, relator do processo, julgou as imputações contra o desembargador compatíveis à determinação da aposentadoria compulsória de Maran.

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8 comentários
  1. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    ESSA É ASENTENÇA PELO CRIME…. APOSENTADORIA INTEGRAL TAPINHA NAS COSTAS E ATÉ DIREITO DE FESTA DE DESPEDIDA….
    ESCÁRNIO , VERGONHA…

  2. Gabriel Berenhauser Leite
    Gabriel Berenhauser Leite

    Mas vai ficar por isso mesmo ou vai ser acusado criminalmente????

  3. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    Nós se fizermos isso numa empresa , sou demitido , dependendo processado, agora para os malandros badidos da justiça, são aposentado, vergonha, essa justiça tem que ser reformada, essa cambada de bandidos demitidas ..

  4. CARLOS CAMILO CEZAR
    CARLOS CAMILO CEZAR

    E para esposa e filho, nada acontece? Não há punição?

  5. Jussara Maria Ferrari Warlet
    Jussara Maria Ferrari Warlet

    Ou seja. O cara é comprovadamente corrupto e é aposentado com direitos e salários.
    Enquanto isso, inocentes sao destituidos de tudo, inclusive da vida, em nome do que nunca existiu.

  6. clarice Bocchese da Cunha Simm
    clarice Bocchese da Cunha Simm

    Estes casos deveriam resultar em cadeia

  7. clarice Bocchese da Cunha Simm
    clarice Bocchese da Cunha Simm

    Aposentadoria é prêmio ! No caso deveria ser cassada esta aposentadoria na comprovação do dolo na venda de decisão

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