O verão 2025-2026 do Brasil foi caracterizado por chuvas intensas por quase todo o país durante praticamente todo o período. Com o fechamento da estação, em março de 2026, pudemos observar que os principais problemas ainda persistiram, marcadamente nas áreas dos grandes centros urbanos da região Sul e Sudeste, mas também em alguns Estados do Nordeste, como a Bahia. Os ventos alísios, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e alguns sistemas frontais semiestacionários contribuíram para eventos com chuvas intensas e perenes.
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O período inicial do verão, ainda em dezembro de 2025, já anunciava que as chuvas seriam persistentes e, em muitos casos, com grandes e bem desenvolvidas células de trovoadas por várias regiões do país. Primeiramente, com a aproximação da ZCIT migrando para o Sul do Equador, o fluxo de umidade proveniente do oceano Atlântico passou a incidir sobre a área continental do Brasil com mais intensidade, pois quando é verão no Hemisfério Sul, os ventos alísios ficam mais notáveis na região equatorial do nordeste e leste, conduzindo sua umidade até a Região Norte, sobre vastas áreas amazônicas.
A circulação anti-horária dos ventos que predomina no setor mais ao Sul da ZCIT, praticamente sobre o país, permite a distribuição dessa umidade por vastas áreas das regiões Norte e Centro-Oeste, mas também chegam até o Sul e Sudeste. Neste verão, essa circulação foi mais abrangente, pois o sistema de alta pressão atmosférica em superfície que a causa esteve bem enfraquecido, permitindo que houvesse um menor afunilamento desta circulação no seu setor periférico. Esse fato permitiu distribuir melhor a umidade espacialmente pelo país, ocasionando células de trovoadas bastante significativas nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, especialmente na Bahia, Estado atingido por chuvas consideráveis.
Condições extremas contrárias às verificadas neste recente verão podem ser recordadas a partir do que ocorreu durante o verão de 2013–2014, quando toda a umidade oceânica se concentrou em uma faixa estreita, formando um canal sobre a região amazônica, que se estendia de Rondônia até o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, durante o período em que o sistema de alta pressão atingiu sua máxima intensidade.
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Na ocasião, recordes de vazão foram constatados no Rio Madeira e na Bacia do Rio Paraná, regiões situadas exatamente sob o corredor atmosférico, enquanto quase todo o restante do país sofria com altas temperaturas, devido à intensa incidência de radiação solar, pois, em pleno verão, não havia cobertura de nuvens — situação típica da atuação de um grande anticiclone.
Como primeiro sinal de um verão potencialmente problemático, podemos recordar as células de trovoadas no município de São Paulo, em dezembro de 2025, que ocasionaram ventos intensos, acima de 80 km/h, derrubando diversas árvores e, com elas, a fiação primária e secundária em grande parte da cidade. O transtorno já estava instaurado e, pela terceira vez consecutiva, cerca de 4,5 milhões de paulistanos passaram horas — na maioria dos casos, dias — sem energia elétrica em suas residências, estabelecimentos comerciais ou locais de trabalho, levando a região metropolitana a um patamar muito inferior ao de cidades até mesmo mais subdesenvolvidas, no que diz respeito ao restabelecimento do sistema elétrico após eventos meteorológicos semelhantes.
Com o início de 2026, as áreas de instabilidade pelo Brasil aumentaram, e os contrastes associados à chegada de sistemas frontais frios, porém moderados, já foram suficientes para fomentar o processo convectivo em vastos setores do país, inicialmente na região Sul e, posteriormente, no Sudeste e Centro-Oeste. Por serem sistemas frontais mais fracos, eles podem se tornar semiestacionários, mantendo uma zona de convergência de umidade delimitada, o que provoca precipitação moderada, porém contínua. Embora houvesse nuvens de trovoadas, grande parte do território permaneceu coberta por nuvens baixas ao longo do verão, apresentando quadros de instabilidade bastante semelhantes.

Todo ano, uma dessas regiões do corredor Noroeste-Sudeste que vai de Rondônia aos Estados do Sul e Sudeste, parece concentrar mais as chuvas, principalmente no final desse mesmo corredor, em um determinado lugar e com elas, os problemas. Geralmente os danos relativos aos altos totais pluviométricos acumulados aparecem na região do litoral Norte do Estado de São Paulo, como foi há três anos, ou no Rio de Janeiro, tanto na baixada fluminense, como na região serrana e, eventualmente, também no interior de Minas Gerais. Infelizmente, neste verão, esse último Estado foi um dos mais atingidos.
No caso de Minas Gerais, o mês de fevereiro de 2026 foi trágico pela quantidade de precipitação verificada na Zona da Mata Mineira, concentrando-se intensamente no final do mês. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia – INMET, este mês foi o mais chuvoso desta região nos últimos 30 anos, porque eventos similares ocorreram somente em 1996.
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Os municípios de Juiz de Fora, Mathias Barbosa e Ubá foram os mais atingidos. Todos estão inseridos na Zona da Mata Mineira, sendo Juiz de Fora uma das cidades principais dentro deste domínio morfoclimático denominado pelo geógrafo brasileiro Aziz Ab’Sáber (1924-2012) como Mares de Morros. Esta classificação indica uma região com relevo acentuado composto por morros ou colinas arredondadas e vales profundos. Essa paisagem é resultado do intenso desgaste (intemperismo) ocasionado pelo clima quente e úmido predominante, resumindo-se em muitos dias ensolarados com altos totais pluviométricos sobre rochas antigas, as quais acabaram modeladas pelo tempo em centenas de colinas.
Em situação de chuvas extremas surge outro transtorno recorrente em verões de países tropicais: a desestabilização do solo. Esse problema pedológico ocorre quando a quantidade de água precipitada torna o escoamento superficial rápido e perigoso, não importando se há vegetação ou não. Se a chuva for forte devido a uma trovoada, o solo pode se liquefazer rapidamente, provocando escorregamento de vertentes destes morros ou colinas, normalmente onde a água corre de forma veloz. Contudo, chuvas moderadas e até leves, mas persistentes por vários dias também encharcam o solo em toda a camada “O” (superficial) ocasionando o mesmo processo, porém de forma traiçoeira, pois não é de fácil observação, como o verificado durante a chuva forte, onde os pequenos escoamentos superficiais de água identificam onde há alta probabilidade do desabamento.
Foi o que se observou em Juiz de Fora, Mathias Barbosa e Ubá, municípios que se encaixam nestas condições regionais. Juiz de Fora e Mathias Barbosa pertencem à bacia do Rio Paraibuna que transbordou com a quantidade de precipitação acumulada. Já em Ubá, os afluentes da bacia do Ribeirão de Ubá fizeram o mesmo processo. Nas áreas de encostas, houve deslizamentos e algumas residências foram soterradas com moradores no seu interior. Muitos morreram.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Juiz de Fora registrou um total pluviométrico acumulado de 579,3 milímetros (mm), entre 1 a 24 de fevereiro, quando a média esperada de chuva era de 170,0mm, ou seja, mais de três vezes. O solo muito encharcado passou a apresentar um padrão líquido, ocasionando os deslizamentos de terra. Para piorar, justamente no dia 24 de fevereiro, em apenas 4 horas, precipitou 190,0mm, segundo relato da Defesa Civil de Juiz de Fora. No dia seguinte, ainda se observava acumulados significativos na região mineira, mas também no interior da Bahia e em uma grande faixa do Centro-Oeste até o Pará e Amapá (Fig.2).

Os quadros meteorológicos com extensas bandas nebulosas, dentro do mesmo setor, trouxeram as chuvas persistentes também nesta ocasião.

Não podemos nos esquecer de outro problema que apareceu durante e depois dos dias de chuvas que ocasionam essas enchentes e inundações. Além de elas desabrigarem centenas de pessoas, ainda surgiram problemas de saúde, como casos de leptospirose. Até o fim de março, mais de 169 municípios em Minas Gerais ainda estavam em Estado de emergência por causa dos transtornos ocasionados pelas chuvas.
Já no Estado de São Paulo, até o fim de março, foram registrados 21 mortes — a maior parte por causa de trovoadas que ocasionaram chuvas abundantes em locais onde o escoamento normalmente não é veloz o suficiente para drenar a água. Nesses casos, ou pessoas ficaram presas em enchentes, ou pior, elas foram arrastadas por enxurradas, um escoamento muito veloz que praticamente não permite que a vítima consiga resistir ao fluxo das águas. Essa situação ocorre muito em condições de vias afuniladas e íngremes ou muito baixas, além de buracos ou bueiros que se abrem com a força das águas. Apenas em 7 de março de 2026, foram registradas duas mortes ocasionados por enxurradas no Estado, sendo uma em São Bernardo do Campo e a outra em Sorocaba.
Os volumes de chuva concentrada foram um destaque em algumas regiões deste verão. Em Sorocaba, citada anteriormente, o total pluviométrico alcançou 144,4mm, dentro de um intervalo de apenas três horas. Esse valor praticamente superou o volume prognosticado para todo o mês de março. Segundo a Defesa Civil do estado de São Paulo, o verão 2025-2026, que fecha seu período oficial de monitoramento em 31 de março de 2026, contabilizou, até agora, duas mortes a menos que o verão anterior de 2024-2025.
Apenas um dia depois do fim do verão do Hemisfério Sul, o Estado do Pará recebeu intensas trovoadas que causaram transtornos com inundações em vários municípios. Santarém, em 21 de março, apresentou alagamentos com mais de um metro. Os avisos de trovoadas com ventos fortes permaneceram até o fim do mês. A Defesa Civil do Estado, ainda em 24 de março, emitia alerta de tempo meteorológico severo com chuvas intensas. A circulação de ventos da ZCIT permaneceu trazendo significativa quantidade de umidade do Atlântico tropical para a área continental.

Fechamos outro verão bastante conturbado nas áreas metropolitanas, com os problemas corriqueiros que sempre são verificados como ventos intensos, ocasionando queda de árvores e danos na distribuição de eletricidade. Já as chuvas acumuladas acabam por distribuírem os problemas entre enxurradas, enchentes, inundações, deslizamentos e até surtos de doenças. Claramente, em alguns casos, nada se pode fazer, pois não existe mundialmente um sistema de drenagem que consiga dar conta de uma chuva intensa ocasionada por uma grande trovoada localizada. Porém, muitos dos problemas urbanos ainda precisam de melhores adequações para esta estação que sempre foi e será marcada por tais tipos de quadros meteorológicos em um país tropical.
No meio de tudo isso, mesmo com tantas chuvas, a companhia recém-privatizada de abastecimento de água que supre a região metropolitana de São Paulo continua cortando o fornecimento em diversos bairros às 21h, uma hora mais cedo do que antes, quando ainda era estatal e passou a operar esse rodízio desde a estiagem de 2014. Segundo as notícias divulgadas, não tem chovido aonde deveria, o que parece ser difícil de acreditar com uma distribuição espacial de nuvens significativa por todas as bacias hidrográficas. Ou isso permanece como um problema estrutural, ou a falta de dragagem dos reservatórios deve ter afetado consideravelmente a capacidade deles. Enquanto isso, durante o religamento que ocorre todas as manhãs, o cidadão tem pagado por ar rodando no medidor e recebido água suja nos primeiros minutos. Parece que essa diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS), nesse caso, pode ser relevada.
Embora haja perda de vidas por moradias derrubadas pelos deslizamentos de terra devido à persistência de chuvas, ou mais raramente, por queda de árvores quando os ventos são intensos, a maioria das mortes ainda ocorre porque as pessoas enfrentam enxurradas, tentando atravessá-las. Noutros casos, quando passam por áreas inundadas. Ressaltamos aqui o perigo oculto que tais condições trazem e sempre recomendaremos que as pessoas aguardem em local protegido, e não tentem enfrentar a força das águas.
Vale lembrar que o verão 2025-2026 aqui no Brasil também acabou com o mito da estupidez dos “rios voadores”, pois o escoamento do ar úmido, oriundo como sempre do Oceano Atlântico, tomou vasta área do Brasil. A não ser que comecem a chamar esse quadro como “inundações voadoras”, o que não duvido. É importante relatar isso, pois essa praga conceitual já invadiu até mesmo os livros didáticos, ensinando porcaria para as crianças. Chegou a ser citada até em textos “científicos” no exterior, onde árvore faz chuva. Com os altos totais pluviométricos registrados por praticamente todo o país em pleno desmatamento gigantesco do desgoverno atual fica difícil defender a “teoria”, não é mesmo? Vamos aguardar as explicações de Marina Silva e da impostora ecológica, Greta Thunberg, quando ela se desocupar da sua exigência sobre a entrega de petróleo em Cuba.





































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