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Brasil

Chefão do PCC movimenta quase R$ 1 mi de dentro da cadeia, revela MP

Comparsas do traficante repassavam ordens por cartas e mensagens

Rebelião do PCC
Rebelião promovida pelo PCC | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Rodrigo Felício, conhecido como Tiquinho de Limeira, considerado pelo Ministério Público um dos “mais altos líderes” do Primeiro Comando da Capital (PCC), continua a coordenar atividades criminosas mesmo depois de 12 anos preso na Penitenciária de Segurança Máxima de Presidente Venceslau, interior de São Paulo.

As investigações revelam que ele emitiu ordens por meio de cartas manuscritas, conhecidas como “salves”, entregues a comparsas fora da prisão. De acordo com documentos da Promotoria, essas ordens eram entregues por sua mulher, Maria Fernanda Antunes Martins, a Gordinha, durante visitas à penitenciária.

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Gordinha atuava como mensageira de Tiquinho e foi flagrada em março de 2023 com quatro folhas manuscritas com instruções destinadas a parceiros do chefe do PCC, como Alex Araújo Claudino, o Frango, e Willian Ali Srour, o Gordo. A apuração é do portal Metrópoles.

Apesar do regime de segurança máxima, Tiquinho mantinha controle das operações externas. O MP apurou que ordens emitidas da prisão resultaram em movimentações bancárias que somam quase R$ 1 milhão em uma única conta. Além disso, há indícios de que US$ 100 mil (equivalente a cerca de R$ 552,49 mil) também foram movimentados em espécie sob sua orientação.

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PCC usava códigos e aplicativos para manter comunicação com chefia

Para evitar a identificação direta das drogas, os criminosos utilizavam termos codificados como “Bob” para maconha e “peixe” para cocaína. As transações e comunicações eram realizadas via WhatsApp, com Gordinha em contato diário com Frango e Gordo. As informações obtidas nessas conversas eram posteriormente repassadas a Tiquinho.

As investigações também mostram que os traficantes liderados por Tiquinho na região de Limeira operavam em formato semelhante a um consórcio. Essa estrutura permitia a aquisição de grandes quantidades de entorpecentes com custos logísticos reduzidos. Frango, por sua vez, era o responsável por coletar e distribuir o dinheiro obtido com as vendas.

Volume de drogas apreendido pela polícia em Jundiaí pesa quase meia tonelada | Foto: PCSP
Quase meia tonelada de droga apreendida em Jundiaí | Foto: PCSP

Outro nome citado nas apurações é o de Edson Calixto da Silva Maximiliano, o Bozão. Segundo a Polícia Civil, ele teria colocado à venda seis pontos de venda de drogas — chamados de “biqueiras” — ao custo de R$ 2 milhões. O objetivo seria deixar a região juntamente com a família, diante do avanço das investigações policiais.

Gordo auxiliava Frango na execução de ordens vindas da penitenciária e era o encarregado pela contabilidade financeira de Tiquinho através de cobranças em nome do chefe do tráfico. Atualmente, com exceção de Frango, que segue foragido, todos os demais investigados mencionados estão presos.

Leia também: “A ousadia do crime organizado”, reportagem de Edilson Salgueiro publicada na Edição 243 da Revista Oeste

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