Ah, as deliciosas histórias da bola. Essa que vou contar para vocês envolve pessoas muito queridas, como o ex-atacante corintiano Lindóia, apelido de Roberto Cardoso da Silva, que hoje vive em Ribeirão Preto (SP), e o inesquecível e bondoso doutor Osmar de Oliveira, que certamente está morando no céu e que foi quem contou este causo ao vivo em um dos milhares de programas de TV que fizemos juntos.
De 1970 para 1971, o Corinthians fazia pré-temporada no interior paulista e ficou hospedado em belíssimo hotel em Águas de Lindóia. A cidade, aliás, trata-se de linda estância hidromineral no Estado de São Paulo.
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Em determinado momento da noite, pouco tempo depois do jantar de toda a delegação, Francisco Sarno, então técnico do Corinthians, bateu à porta da suíte de Osmar de Oliveira, recém-formado em Sorocaba (SP) e então médico do clube. O treinador solicitou urgente atendimento a Lindóia, jovem ponta contratado junto ao Guarani, que estava extremamente indisposto.
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Com todo seu tato e profissionalismo, Dr. Osmar de Oliveira examinou Lindóia. Com base no que observou, decidiu que o melhor tratamento seria com administração de três supositórios.

A administração de supositórios por atacante do Corinthians
Osmar voltou ao seu quarto e dormia tranquilamente com o tradicional friozinho da madrugada de Águas de Lindóia, quando ouviu novamente alguém batendo em sua porta. Era, novamente, Francisco Sarno.
“Doutor, mas o que é isso? O senhor quis envenenar o Lindóia?”, inquiriu o técnico alvinegro. “Ele está muito pior e quase morrendo lá no quarto.”
“Eu não!”, respondeu o médico. “Ele já deveria estar melhor com os supositórios que passei para ele.”
E foram os dois até a suíte de Lindóia, em outra ala do belíssimo hotel. “O que houve, Lindóia? Os medicamentos que eu te passei fizeram mal?”, perguntou Osmar de Oliveira.
“Doutor, eu não sei o que aconteceu, tô muito mal”, explicou Lindóia. “Tô ‘imbruiado’.”
“Mas conseguiu tomar os remédios?”, perguntou Osmar de Oliveira.
“Consegui, sim, doutor”, explicou o gente boa do atacante Lindóia. “Tomei os três com aquela garrafinha de guaraná, olha. Peguei os três e tomei de uma vez. Agora eu tô muito ‘imbruiado’. Toda vez que eu solto pum, viro do avesso, doutor.”
E Lindóia, que sempre com muito bom humor confirma a história contada por Osmar de Oliveira, ainda teve tempo para perguntar em seus “últimos segundos de vida”: “Doutor, o meu guaraná estava estragado?”.
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