Equipes da Delegacia de Portel, no Marajó, prenderam em flagrante, na tarde de terça-feira, 2, um homem e uma mulher suspeitos de tentar comprar uma criança. O caso é investigado como tráfico de pessoas pela Polícia Civil do Pará.
A prisão ocorreu depois de denúncias de que o casal ofereceu “uma quantia vultosa” de dinheiro para intermediar a aquisição ilegal de um recém-nascido, segundo a delegada Fabiana Santos, responsável pelas investigações.
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Moradores relataram que os suspeitos haviam tentado cometer o mesmo crime em Melgaço antes de seguir para Portel. “Diante desta denúncia, nossa equipe diligenciou de forma disfarçada para monitorar a transação”, relatou Fabiana. “No momento em que o casal verbalizou o valor a ser pago, foi dada voz de prisão em flagrante pelo crime de tráfico de pessoas.”
O homem se identificou como policial militar de Goiás. Com ele, a polícia apreendeu uma arma de fogo. Ele estava acompanhado de uma mulher e de uma criança de 8 anos, que, segundo a polícia, seria filho da suspeita. A delegacia informou que todos estavam hospedados em um hotel no centro de Portel, local onde ocorreu a oferta de dinheiro.

O delegado Paulo Junqueira, superintendente da região, detalhou que o suspeito resistiu às ordens da equipe policial. Ainda foram apreendidos com o casal uma mala com diversas roupas de recém-nascido e fraldas descartáveis, além de utensílios como mamadeira e três aparelhos celulares com certidões de nascimento de recém-nascidos de outros Estados.
A criança que acompanhava o casal foi encaminhada ao Conselho Tutelar de Portel para averiguação. Os dois adultos passaram pelos procedimentos legais e permanecem à disposição da Justiça paraense. O delegado Hennison Jacob, da Diretoria de Polícia do Interior, disse que a polícia apura se os suspeitos atuaram em outras cidades.
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Marajó vive histórico de denúncias sobre exploração infantil
Denúncias sobre crimes contra crianças e adolescentes na Ilha do Marajó ocorrem há anos. Em fevereiro de 2024, a Promotoria de Justiça de Portel abriu uma notícia de fato para apurar “dois casos de extrema gravidade” com abuso sexual de menores no município.
O documento menciona suspeitas de “tráfico de crianças e adolescentes” e cita relatos sobre aliciadores estrangeiros que ofereciam internet via Starlink para a produção de pornografia infantil.
A Promotoria também destacou que há informações sobre um possível cemitério clandestino e o envolvimento de autoridades locais e encaminhou ofícios à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.
Em junho daquele ano, a Comissão de Segurança Pública da Câmara realizou audiência para discutir abusos contra crianças na Região Norte. Conselheiros tutelares relataram casos graves, como estupros cometidos dentro das próprias famílias. A deputada Silvia Waiãpi (PL-AP) disse que a vulnerabilidade social facilita a exploração e afirmou: “Mexemos em um vespeiro”.
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DAMARES CANSOU DE DENUNCIAR ESSE CRIME