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Burocracia dificulta resgate de cidadãos e entrega de doações às vítimas das enchentes no RS

Militares do Exército e agentes ligados ao governo fizeram exigências e tentaram impedir a ajuda aos civis

Base Aérea de Brasília recebe doações para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul - 8/5/2024 | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Base Aérea de Brasília recebe doações para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul - 8/5/2024 | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

No Rio Grande do Sul, as fortes chuvas que castigam a região já causaram mais de 107 mortes. Segundo o último boletim da Defesa Civil, divulgado na tarde desta quinta-feira, 9, aproximadamente 1,4 milhão de cidadãos em 428 dos 497 municípios do território gaúcho foram afetados.

A maioria dos desabrigados saiu de suas residências e buscou refúgio em casas de parentes ou em locais que estão recebendo as vítimas das enchentes. O prejuízo material, psicológico e emocional é inestimável.

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Diante da maior tragédia da história do Estado, centenas de pessoas começaram a se mobilizar para acolher e tentar amenizar as dores de quem mais precisa. Apesar do cenário caótico nas cidades gaúchas, o Estado, por meio das forças de segurança, fiscalizadores e demais agentes, dificultou a ação de voluntários.

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A equipe de reportagem de Oeste recebeu inúmeros relatos sobre a burocracia estatal no Rio Grande do Sul, classificada como fake news por integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva e por alguns veículos de imprensa. Entre os episódios destacam-se o desperdício de marmitas feitas por voluntários, a dificuldade na aquisição de remédios para enfermos e o destrato das autoridades com a população.

Rio Grande do Sul e Santa Catarina de mãos dadas

Sandro Roberto Meneses Santos, de 55 anos, é ex-gestor de segurança e palestrante. Ele morava em Canoas e voltou de uma viagem aos Estados Unidos dois dias antes do início das enchentes, que foi registrado em 29 de abril. Com a inundação, Sandro e sua família perderam tudo.

Seu trabalho voluntário começou no mesmo dia em que sua família saiu da casa onde moravam, localizada no Bairro de Fátima. Naquela madrugada, ele e a nora se juntaram com outros cidadãos para fazer resgates e coletar donativos para atender os necessitados. 

Em entrevista, o ex-gestor relatou que, enquanto seu grupo tentava resgatar mais pessoas ilhadas, agentes do Exército exigiram a licença de arrais, que abrange condutores de barcos e jet skis. Os voluntários decidiram ignorar a ordem e seguiram com os salvamentos. Os agentes não persistiram com a cobrança.

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Ele também conta que voluntários de Santa Catarina, Estado vizinho do Rio Grande do Sul, enviaram marmitas para doação. Os alimentos, porém, foram barrados pelas agências fiscalizadoras, que ordenaram que estas deveriam ter etiquetas especificando a data dos alimentos para, assim, fazer as entregas. 

“Os colegas de Santa Catarina trouxeram comida fresquinha e insumos, preparados com o maior carinho do mundo”, disse Sandro, em entrevista a Oeste. “Eles estão se doando para nos ajudar, nós levamos lá, mas a entrega foi barrada. É uma sacanagem, né?”

O grupo de Sandro também teve dificuldades para adquirir medicamentos. Em um dos episódios, o voluntário se dirigiu a uma farmácia para comprar remédios para uma criança autista. O atendente da farmácia exigiu o CPF e a receita do fármaco. Contudo, a família não tinha mais esses documentos, pois perdeu tudo na enchente. Para garantir o acesso da criança aos seus medicamentos, ele teve de se dirigir a outra farmácia, onde conseguiu fazer a compra.

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O voluntário relata que a maior ajuda vem de empresários e instituições privadas. Entre as doações, parte de um repasse de R$ 500 mil, feito pela Liga Nacional dos Atiradores Desportivos (Linade), e o auxílio do coordenador estadual da agremiação, João Correa. Essas contribuições permitiram que o grupo adquirisse donativos e levasse alguns dos resgatados até o município de Xangri-Lá, no litoral gaúcho, localizado a 110 quilômetros de distância de Canoas.

Para Sandro, a situação caótica ressaltou o cuidado que os cidadãos têm uns com os outros. No entanto, também escancarou a ineficiência de governantes e agentes que deveriam prezar pelo bem geral da população. 

“Não tenho visibilidade, nem quero ter”, afirmou Sandro. “Apenas quero que parem de judiar tanto do nosso povo. Se não querem agir, deixem que os outros façam o que deve ser feito.”

A burocracia estatal do Exército

Exército
Voluntários relatam que militares do Exército Brasileiro estão dificultando a ajuda às vítimas | Foto: Reprodução/Exército brasileiro

A nutricionista Luciana Pacheco também relatou a Oeste as imposições burocráticas feitas pelo Exército em sua região. Para ela, a chegada dos militares apenas atrapalhou as ações de resgate, visto que os cidadãos já haviam se organizado entre si.

“O Exército impõe burocracia e acha que está organizando as ações, mas, na verdade, eles estão atrapalhando”, contou Luciana. “Antes, estávamos conseguindo nos organizar entre si para os resgates, mas agora estamos enfrentando muitas dificuldades.”

Quando o Exército chegou à região de Luciana, horas depois do início dos resgates, os soldados começaram a exigir a licença de arrais e bloquearam o acesso às áreas alagadas. Voluntários que chegavam de barco ou jet skis não podiam entrar.

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Até mesmo a chegada de combustíveis e mantimentos foi dificultada. Os militares proibiram o estacionamento de carros perto das regiões afetadas sob a alegação de que a presença destes atrapalhava o deslocamento de veículos anfíbios.

A voluntária classifica as ações dos soldados de maior patente como uma “disputa de ego”, pois muitas das ordens não possuem um motivo específico. “A sensação que temos é de que eles estão competindo entre si para ver quem manda mais na situação”, avaliou. “O Exército está desorganizado. Várias decisões deles não fazem o menor sentido. Como se isso já não bastasse, eles são grosseiros com quem tenta ajudar.”

Entre as forças de segurança, Luciana afirmou que os agentes que mais estão empenhados em auxiliar o trabalho da população são os bombeiros e os brigadistas. Ela também afirmou que, ao contrário do que está sendo noticiado, os relatos sobre a burocracia estatal são verdadeiros. 

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12 comentários
  1. Thales Augusto
    Thales Augusto

    Em tragédias como a que estamos vivendo nem cabe a palavra burocracia, é crime de responsabilidade. Governo estadual e federal deverão responder criminalmente por seus atos. Governo estadual totalmente despreparado para atender a população mais preocupado em promoção política. Governo federal omisso e prevaricador. Se não fossem as denúncias via internet, não veríamos ajuda federal e a ajuda da população não chegaria em seus destinos. A maior calamidade no país hoje chama-se PT.

  2. Francisco Wellington Franco De Souza
    Francisco Wellington Franco De Souza

    Uma pena Oeste publicar uma matéria como essa. Presta um desserviço e entra na vala comum do jornalismo ideológico. Os articulistas não se deram nem ao trabalho de ouvir o que o Exército, que juntamente com as outras Forças Armadas e agências está prestando o apoio humanitário à população do Estado do Rio Grande do Sul. O Exército está desde as primeiras horas na região, trabalhando noite e dia sem cessar. É esse o jornalismo diferente da velha mídia?

    1. Vitor Gonçalves Piovezam
      Vitor Gonçalves Piovezam

      Tem mais civil que militar ajudando. Isso é claro e nítido. Pergunte a quem está lá.

  3. Maki K
    Maki K

    Falar mal do exército não seria justamente o objetivo da esquerda ? Para conseguir o fim do mesmo por completo ?

  4. Jocelio de Abreu e Silva
    Jocelio de Abreu e Silva

    O exército virou PT e o PT é uma quadrilha do mau. Esse governo e todos os seus aliados têm q ser expulso do Brasil a ponta pés.

  5. williams de lacerda
    williams de lacerda

    Tem-se a impressão, que o governo federal (PT) está fazendo tudo para dificultar a ajuda humanitária. Parece que querem dar um castigo para o povo que rechaçou essa quadrilha, nas urnas.

  6. Euclides Lucas de Mendonça
    Euclides Lucas de Mendonça

    Dentre todas as lições desta monumental tragédia, fica também uma constatação de que nosso exército é um aglomerado de cidadãos despreparados, sem ter o que fazer, mamando os recursos dos pagadores de impostos, e quando chamados a fazer algo de útil se perdem na lama da vaidade.
    Outrora uma entidade respeitada e querida pelos cidadãos de bem, e agora desprezada por todos, a partir do episódio de 08/01/23. Ao invés de cooperar com o auxílio aos flagelados pela tragédia, se transformam em parte de uma tragédia, que é o serviço prestado pelo setor público.
    Mas é o povo tomando consciência, percebendo que não podem contar com o poder público, mas podem ser auto suficientes diante da maioria das situações. É hora de pensarmos e criarmos um Brasil diferente. Um Brasil com menos estado e mais povo.

  7. João Cirilo
    João Cirilo

    Por um digamos, descuido, sintonizei pela hora do almoço a Gloebels News e notei que a azáfama maior dos apresentadores e dos repórteres era, ao tempo em que mostravam ou tentavam mostrar as ações positivas do governo federal, chamar a atenção e criticar as inúmeras “notícias falsas,” que segundo os critérios da propaganda oficial do governo federal travestida de jornalismo (chinfrim) infestam as redes sociais. Que todos precisam se informar pelos “canais oficiais da imprensa”.
    É inacreditável a baixeza que chegou a outrora tão afamada RG, talvez porque não tivesse concorrência e podia as bobagens que quisesse. Talvez esta seja a melhor explicação, porque só assim pôde contaminar tanto as últimas gerações, que perderam o referencial.

  8. Paulo Roberto Polidoro
    Paulo Roberto Polidoro

    A burrocracia faz parte do estado brasileiro, desde que a república foi proclamada.

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