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Bill Gates minimiza cenário apocalíptico das mudanças climáticas

O empresário, investidor em projetos ambientais, afirmou em memorando que, apesar dos impactos graves, especialmente nos países pobres, a humanidade não será extinta

Bill Gates
Bill Gates | Frederic Legrand/Shutterstock

Uma nova análise de Bill Gates sobre as mudanças climáticas busca afastar o temor de um cenário apocalíptico e propõe redirecionamento dos esforços globais. O empresário, conhecido por investir bilhões em projetos ambientais, publicou um memorando nesta terça-feira, 28, no qual afirma que, apesar das consequências graves principalmente para países mais pobres, as mudanças climáticas não levarão ao desaparecimento da humanidade.

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No texto, Gates afirma que “as pessoas poderão viver e prosperar na maioria dos lugares da Terra no futuro próximo”. Ele argumenta que o foco excessivo em previsões catastróficas desvia recursos de ações mais eficazes para melhorar a vida em um mundo mais quente. O memorando surge quatro anos depois do lançamento do livro Como Evitar um Desastre Climático” e indica uma mudança importante em sua abordagem sobre o tema.

Críticas ao novo posicionamento de Bill Gates

O posicionamento de Gates, cuja fortuna está estimada em US$ 122 bilhões (cerca de R$ 653 bilhões), foi criticado por Michael Oppenheimer, professor da Universidade de Princeton. Oppenheimer avaliou que Gates separa indevidamente o combate às mudanças climáticas da assistência a populações pobres, postura “geralmente propagada por céticos do clima”. “Apesar de seus esforços para deixar claro que leva as mudanças climáticas a sério, suas palavras certamente serão mal utilizadas por aqueles que não desejam nada mais do que destruir os esforços para lidar com as mudanças climáticas”, disse Oppenheimer por meio de um e-mail, segundo o The New York Times.

A divulgação do memorando ocorre a poucos dias da COP30, conferência climática da ONU que será realizada em Belém. Gates, que completou 70 anos recentemente, não estará presente neste ano e não comentou publicamente o conteúdo do documento. Na última década, o empresário canalizou recursos para políticas e iniciativas que visam à redução dos gases de efeito estufa, além de apoiar startups e projetos de adaptação em comunidades vulneráveis.

Investimentos e mudanças nas estratégias

Em 2015, Gates fundou a Breakthrough Energy para investir em energia limpa e promover políticas de redução de emissões. O grupo expandiu suas atividades, incluindo atuação em Washington. “As mudanças climáticas já estão afetando a vida da maioria das pessoas e, quando pensamos no impacto sobre nossas famílias e as gerações futuras, podemos sentir um peso enorme”, escreveu Gates em texto publicado em 2023 no site da Breakthrough Energy, depois retirado do ar.

Recentemente, a Breakthrough Energy anunciou cortes profundos e encerrou parte das atividades políticas. Em maio, Gates informou que a Fundação Gates encerraria operações, depois de investir bilhões em ações climáticas, como o compromisso de US$ 1,4 bilhão (aproximadamente R$ 7,4 bilhões) para apoiar agricultores de países pobres.

Quando os recursos do governo norte-americano para ajuda externa foram reduzidos, Gates direcionou suas doações para suprir essas demandas, focando saúde e combate à pobreza em nações em desenvolvimento.

Apesar das mudanças, Gates segue investindo em energia limpa por meio de programas como o Breakthrough Energy Catalyst e a Breakthrough Energy Ventures, sem anunciar alterações nas estratégias de financiamento. Ele também mantém aportes em energia nuclear, sendo a TerraPower, empresa apoiada por ele, recém-autorizada a lançar um novo tipo de reator.

Foco na adaptação e no alívio do sofrimento humano

No documento, Gates defende a ideia de que o mundo invista na redução dos custos da energia limpa e em soluções para agricultura, manufatura e transporte menos poluentes. Ele sugere que a campanha para cortar emissões deveria ser repensada, priorizando formas de aliviar o sofrimento humano e melhorar as condições de vida.

O empresário reconhece a mudança climática como “um problema muito importante”, mas critica a “perspectiva apocalíptica” que, segundo ele, faz a comunidade climática focar excessivamente metas imediatas de emissões. Para Gates, isso desvia “recursos das coisas mais eficazes que deveríamos estar fazendo para melhorar a vida em um mundo em aquecimento”.

Gates busca afastar o debate da temperatura como principal métrica de progresso climático, afirmando que “a temperatura não é a melhor maneira de medir nosso progresso no clima”.

Leia também: “A anistia inevitável”, artigo de Augusto Nunes e Branca Nunes publicado na Edição 255 da Revista Oeste

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1 comentário
  1. Célio Casagrande do nascimento
    Célio Casagrande do nascimento

    Já sabe que a narrativa , não cola mais

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