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Bebê abandonada em selva do Panamá retorna ao Brasil depois de 5 meses

Pai biológico da criança enganou a mãe para pegá-la e levá-la para fora do país; menina foi deixada na travessia de Darién

estreito de darién entre a colombia e o panama
O pai biológico da bebê a deixou com um parente na rota da selva de Darién, entre a Colômbia e o Panamá | Foto: Reprodução/Google Maps

Mais de cinco meses depois de ser levada pelo pai sem autorização e abandonada na selva de Darién, entre a Colômbia e o Panamá, uma bebê brasileira de 1 ano e 10 meses finalmente retornou ao Brasil. Ela chegou na manhã desta terça-feira, 28.

No final de dezembro, a menina foi entregue ao serviço migratório do Panamá por imigrantes haitianos depois de sair da floresta. Desde então, a bebê estava em um abrigo nos arredores da Cidade do Panamá, sob a custódia do Serviço Nacional de Infância e Família do país. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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A liberação da bebê só ocorreu em maio, por meio da atuação da defesa da mãe, Verônica Simão, com intermédio da Autoridade Central Federal, em negociação com a Justiça do Panamá.

A advogada da família trouxe a menina de um abrigo no Panamá para o Aeroporto Internacional de São Paulo depois de um grande esforço para viabilizar as passagens.

Inicialmente, a família tentou obter ajuda do Ministério das Relações Exteriores para as passagens, mas, diante da demora, uma organização internacional se ofereceu para custeá-las, permitindo o retorno da bebê.

A Exodus Road, uma organização voltada ao combate do tráfico de pessoas, afirmou em nota que o caso da menina é um “símbolo de esperança e resiliência”.

Pai enganou a mãe para levar bebê ao Panamá

Verônica Simão, mãe da bebê, foi enganada pelo pai biológico da criança, um imigrante angolano, que a levou em dezembro sob o pretexto de um passeio. Ele não consta no registro de nascimento da bebê e desapareceu depois de deixá-la com um parente na rota de Darién.

Desesperada, Verônica conseguiu acessar a conta do ex-companheiro em uma rede social e descobriu que ele havia falsificado documentos da bebê com a ajuda de outros imigrantes. A mãe também registrou um boletim de ocorrência no 8º Distrito Policial, no Brás, por subtração de incapaz, furto e falsificação de documento.

travessia selva de darién no panamá
A travessia da selva de Darién é considerada uma das mais perigosas e letais do mundo, tendo recebido a alcunha de ‘Selva da Morte’ | Foto: Gema Cortes/OIM

A última notícia sobre o pai biológico da bebê é que ele a deixou com um parente na rota da selva e prometeu encontrá-los em poucas horas, o que nunca ocorreu. Nem o Panamá nem os EUA têm informações sobre seu paradeiro, oque aumenta a suspeita de que ele tenha morrido na travessia.

Desde 2019, mais de 16,4 mil brasileiros cruzaram a selva de Darién, a maioria menores de idade e filhos de imigrantes que viviam no Brasil. Em 2024, a floresta caminha para registrar recorde de cruzamentos, com 160 mil imigrantes que chegam ao lado panamenho até o dia 23 deste mês, sendo 22% menores de idade.

Bebê ficou sob custódia no Panamá

A bebê estava sob a custódia do Serviço Nacional de Infância e Família panamenho desde dezembro. O Panamá desenvolveu protocolos para crianças que terminam a travessia da selva sozinhas desde 2019, quando a rota de Darién se tornou mais expressiva para imigrantes em direção aos EUA.

Casos como o da bebê paulista não são isolados. No mesmo abrigo, há pelo menos outras duas crianças brasileiras em condições semelhantes. Uma delas, também filha de imigrantes angolanos, chegou ao fim da travessia no mesmo dia que a menina que acaba de retornar ao Brasil.

Envolvimento de organizações em caso de bebê

A Exodus Road, com sede em Colorado Springs, EUA, atua no Brasil oferecendo treinamento sobre tráfico de pessoas para forças de segurança, como a Polícia Federal. A organização custeou o hotel onde a advogada da família pernoitou antes de buscar a bebê.

A bebê que acaba de voltar ao Brasil é acompanhada pela embaixada brasileira no Panamá. A única informação sobre sua família é a de um irmão maior de idade que vive na costa leste dos EUA e teria interesse em recebê-la. O setor consular brasileiro ainda busca a melhor solução para o caso.

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