publicidade
Brasil

Avenida anunciada como legado da COP30 vira alvo de ações judiciais

MPF questiona impactos ambientais e sobreposição da obra a territórios de populações tradicionais em Belém

Avenida Liberdade
Avenida Liberdade, em Belém do Pará | Foto: Divulgação/ Agência Pará

A Avenida Liberdade, em Belém (PA), anunciada como legado da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, é alvo de duas ações judiciais por suposto prejuízo de posse de terra de moradores do entorno. A inauguração da obra ocorreu somente em abril deste ano, cinco meses depois do fim do evento.

Com 14 quilômetros de pista expressa, a avenida liga a Ananindeua e a Marituba, na Região Metropolitana de Belém. A obra custou R$ 489 milhões, com financiamento do governo estadual.

Receba nossas atualizações

Os processos, porém, ainda aguardam decisão da Justiça. Uma das ações incluía pedido de paralisação da obra, mas o lançamento da avenida ocorreu antes da análise judicial. As ações acusam suposta sobreposição da via a territórios de populações tradicionais. Também alegam dano ambiental, com destruição de milhares de pés de açaí da comunidade Navegantes para a construção da avenida.

+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste

A Procuradoria-Geral do Estado do Pará, porém, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que ainda não havia sido notificada. O órgão também disse que firmou acordo judicial com moradores de uma das comunidades e que já depositou as indenizações para os que aceitaram a proposta.

Já o governo do Pará disse, em nota, que a obra atende a 57 condicionantes socioambientais e inclui 34 passagens de fauna para prevenção de atropelamentos de animais.

MPF questiona cessão de área para obra da COP30

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou as ações em março deste ano, com a justificativa de proteger os direitos territoriais das comunidades de Nossa Senhora dos Navegantes, Beira-Rio e Uriboquinha.

O MPF questiona um acordo firmado em 2025 entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o governo estadual. Este transferiu 32,58 hectares da fazenda experimental da empresa para a obra.

Avenida Liberdade COP30
Obra da Avenida Liberdade, em Belém, durante a COP30 | Foto: Divulgação/ Agência Pará

Segundo o órgão, cerca de 7,3 hectares da área cedida se sobrepõem aos territórios das três comunidades ribeirinhas extrativistas. A Embrapa reconhece a presença dos moradores há mais de 80 anos, mas afirma deter o domínio formal da área.

O MPF, por sua vez, pede que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, a Embrapa e a União reconheçam formalmente o território das comunidades, que totaliza 1,5 mil hectares, para criação de um Projeto de Assentamento Agroextrativista.

A Secretaria de Infraestrutura e Logística do Pará, no entanto, afirmou que as comunidades receberam indenização. Ainda segundo o órgão, os valores foram referentes à produção futura de açaí pelos próximos 20 anos.

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade