O enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes é o grande tema do livro Proteja os Seus Filhos — Em Defesa de Quem Mais Precisa, cujo evento de lançamento aconteceu nesta quarta-feira, 5, no Rio de Janeiro. A obra reúne 27 capítulos escritos por magistrados, promotores, policiais, médicos, professores e representantes da sociedade civil.
O projeto foi idealizado e coordenado pelo comissário da Polícia Civil Daniel Viana, que atua na linha de frente do enfrentamento à violência infantil e assina dois capítulos. Segundo ele, livro foi pensado como instrumento acessível para a capacitação da sociedade.
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“Este é um livro que nasce de vivências reais e do compromisso de quem está no combate diário pela proteção das crianças”, explicou. “Temos uma missão simples e urgente: ajudar pais, mães, professores e cuidadores a protegerem as crianças. Queremos que essas informações cheguem às famílias, às escolas e às instituições como uma ferramenta prática e humana.”
Lançado pela MCL Editora e com prefácio do secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, o livro reúne a contribuição de figuras como o vereador Leniel Borel (PL-RJ), autor da Lei Henry Borel, a desembargadora Ivone Ferreira Caetano, o promotor Casé Fortes, o desembargador Fábio Dutra e a apresentadora Gardênia Cavalcanti. Cada capítulo traz diferentes perspectivas e estratégias para o fortalecimento da proteção infantojuvenil.
Além da violência física e psicológica, o livro aborda riscos presentes no ambiente digital, como o cyberbullying, que registrou mais de 2,3 mil ocorrências criminais em 2024. O delegado Alessandro Barreto, do Ministério da Justiça, que assina um dos capítulos, ressalta a necessidade de diálogo em casa para evitar perigos on-line.
“O perigo on-line não está só nas telas, está no silêncio dentro de casa. Por isso, a conversa é o melhor antivírus. A criança tem que brincar, socializar e não ficar apenas atrás de uma tela. E, quando tiver, ative o controle parental”, alertou. “Não é vigilância, é um ato de amor. Faça isso antes que seu filho seja alcançado por criminosos.”

Brasil teve mais de 60 mil casos de violência contra menores em 2024
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 serviram de ponto de partida para a publicação. O levantamento revela que, em 2024, mais de 60 mil crianças e adolescentes foram vítimas de violência no país. Os registros de abandono de incapaz e maus-tratos no público de até 17 anos apresentaram aumento de 9,4% e 8,1%, respectivamente, no mesmo período.
Maura de Oliveira, responsável pela Lei n° 9.234/21, que estabelece diretrizes de combate à pedofilia e à exploração sexual infantil no Estado, afirma que as raízes do abuso estão em pequenas violências naturalizadas na infância.
“Estão na negligência afetiva, nas infâncias sem escuta, na educação que cala em vez de acolher, na crença de que o poder do adulto sobre a criança é incontestável”, explica. “Quando um menino é ensinado a não chorar e uma menina é ensinada a suportar, ali se planta a semente da desconexão. Essa desconexão é a raiz.”





































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