Daniel Borges, presidente do Partido Liberal (PL) no município de Rio Grande (RS), está engajado em expor o máximo, legalmente possível, de informações em relação ao caso das crianças Douglas e Sofia, retirados de seus pais em 20 de novembro devido à ausência — justificada por laudos médicos — de vacinação. Ele é um dos poucos políticos a comentar publicamente o assunto até o momento.
A Oeste, Borges disse considerar que o silêncio de parlamentares gaúchos diante do caso, que está repleto de inconsistências jurídicas, deve-se a fatores políticos. Do medo de desgaste eleitoral a uma espécie de “ética parlamentar” que impede a interferência em pautas alheias, ele afirma uma série de fatores para a omissão registrada até o momento.
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“Por se tratar de um assunto polêmico, muitos têm medo de se envolver e arriscar uma eleição”, declarou. Borges relatou que alguns políticos chegaram a procurá-lo, inclusive pessoas de seu próprio partido, mas sem interesse em conhecer as provas que desmentem a atuação da Justiça em Arroio Grande no caso da família Kalaitzis.
“Por conhecerem os conselheiros tutelares e ter base eleitoral com eles, ele não quis saber quais provas eu tinha”, relatou a respeito de um correligionário. “Preferiu ficar apenas com a narrativa dos profissionais com quem tinha contato.” Segundo Borges, parlamentares de diferentes partidos agiram da mesma forma.
“Muitos acreditaram em telefonemas de pessoas influentes, que diziam: ‘Não se envolvam nesse caso. É complicado. Dizem que os pais abusavam das crianças. Saiam disso, tem eleição pela frente’, afirma o presidente do PL em Rio Grande. “Eu também recebi esse tipo de ligação. Mas, como acompanhei o caso desde o início, tinha provas. Sabia, por exemplo, que o atestado de corpo de delito do dia 18 [de novembro], que comprovava que as crianças não tinham sido abusadas, havia sumido.”
Mesmo com ordens para parar, Daniel continuou investigando, “porque tinha certeza da injustiça”. Diante da pressão, entretanto, “muitos preferiram se calar”.

Sobre as pressões recebidas, Borges garantiu que pode comprová-las. “Posso provar as ligações. Eu nunca falo nada sem provas. Mas não costumo expor minhas fontes nem citar nomes.” A Oeste, ele mostrou uma mensagem anônima no Instagram que o ameaçava. O assessor de um deputado federal do PL no Rio Grande do Sul também o ameaçou diretamente. “É muito pior do que você pensa”, diz Borges.
O assessor também avalia que alguns políticos evitam o tema por cautela. “Os parlamentares geralmente trabalham em cima de suas próprias pautas. Existe uma espécie de ‘ética parlamentar’, em que muitos não atravessam a pauta dos outros”, relata. “Além disso, por se tratar de um assunto polêmico, muitos têm medo de se envolver e arriscar uma eleição.”
Ele próprio, mesmo sendo presidente municipal do PL, prefere não assinar com o logotipo da sigla ao comentar o caso. “Falo como Daniel Borges, até porque não passo de um hóspede dentro do PL”, afirmou. “Acredito que, como nas religiões, há pessoas boas e ruins no partido. Nossas atitudes é que nos definem.”
Segundo Borges, lideranças nacionais costumam se manifestar apenas depois de analisar provas. “Se Eduardo Bolsonaro ou Nikolas Ferreira fizerem um vídeo sobre o assunto, um minuto depois o Instagram desaba de vídeos em apoio”, afirma. “Mas, para isso acontecer, eles precisam averiguar todos os fatos, ver as provas.”
Ele acrescentou que acredita em futuros posicionamentos de grandes lideranças do PL, embora reconheça que “a política nem sempre é o ideal”. O caso envolvendo a família Kalaitzis “pode acabar com candidaturas grandes no Estado”, diz Borges. “Tudo pelo corporativismo do Judiciário no Sul.”
Daniel Borges investigou caso de Arroio Grande por conta própria
Daniel Borges negou que as informações divulgadas por ele tenham partido dos pais das crianças. “Esse processo foi falho desde o início. Vazavam informações e eram criadas fake news por pessoas ligadas à prefeitura, à saúde e ao Conselho Tutelar”, afirmou. O prefeito de Arroio Grande, Neto Pereira (PDT), espalhou, no Instagram, acusações contra Douglas Kalaitzis, pai das crianças — desmentidas publicamente pelo advogado da família.
Borges disse ter verificado indícios de maus-tratos às crianças na Casa de Passagem Novo Amanhecer, instituição que já detinha históricos de crimes como estupro e homicídios. “Os avós têm privilégios de visita. É visível a hostilidade de Douglas Júnior com o conselheiro.”
Na última sexta-feira, 30, ao visitar Arroio Grande, ele viu pessoalmente as crianças demonstrando vontade de ficar com os pais. O presidente municipal do PL presenciou uma visita externa dos genitores aos filhos, na data do aniversário da mais nova.
Para Borges, a divulgação do caso foi decisiva. “Tenho certeza de que, se não estivéssemos falando, Paola e Douglas já não estariam hoje com seus filhos definitivamente.” Arroio Grande é um município do interior gaúcho, a 4 horas de Porto Alegre e a 1 hora da fronteira com o Uruguai.
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