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Brasil

Apenas 6 de 300 cursos de medicina no país alcançaram nota máxima do MEC

Dos que alcançaram desempenho de excelência, a maioria pertence à iniciativa privada

Medicina está entre os cursos que mais formam profissionais ricos no Brasil | Foto: Reprodução
Medicina está entre os cursos que mais formam profissionais ricos no Brasil | Foto: Reprodução

Apenas seis cursos de medicina avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) em 2023 atingiram nota máxima (5) no Conceito Preliminar de Curso (CPC), um dos indicadores mais importantes sobre a qualidade do ensino superior no país.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) conduziu a investigação, e os resultados vieram à tona nesta sexta-feira, 11.

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Cursos de medicina com nota máxima (CPC 5)

A maioria dos cursos que alcançaram desempenho de excelência pertence à iniciativa privada sem fins lucrativos, com forte concentração no Estado de São Paulo. Apenas uma instituição pública estadual compõe a lista:

O que é avaliado no CPC?

O Conceito Preliminar de Curso leva em conta quatro dimensões principais:

  1. Desempenho dos alunos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade);
  2. Valor agregado pelo curso ao desenvolvimento acadêmico (por meio do Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado);
  3. Qualificação do corpo docente, considerando titulação e regime de trabalho; e
  4. Avaliação dos estudantes quanto à infraestrutura, organização pedagógica e oportunidades de formação complementar.

A nota varia de 1 a 5. Conceitos 1 e 2 são considerados insatisfatórios.

Comparativo: desempenho entre instituições públicas e privadas

Embora os cursos privados predominem entre os que receberam nota 5, as universidades públicas apresentaram desempenho proporcionalmente superior:

  • Instituições privadas
    • 9% receberam CPC 1 ou 2 (insatisfatórios)
    • 39% ficaram entre notas 4 e 5
  • Instituições públicas
    • 4,5% ficaram com CPC 1 ou 2
    • 48,2% obtiveram notas 4 ou 5

Cursos com desempenho insatisfatório

As graduações que receberam CPC 1 ou 2 serão submetidas a uma nova avaliação in loco pelo Inep. Caso mantenham baixo desempenho no Conceito de Curso (CC) definitivo, a instituição poderá sofrer sanções, como:

  • Assinatura obrigatória de um termo de compromisso;
  • Prazo de até um ano para corrigir as deficiências; e
  • Em caso de descumprimento, o curso poderá ser suspenso ou extinto.

Cursos com CPC 1 (nota mais baixa)

  • Universidade de Gurupi (UnirG) – Gurupi/TO
  • Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) – Caxias/MA

Cursos com CPC 2

  • Universidade Federal do Amazonas (UFAM) – Manaus/AM
  • Universidade Federal do Amazonas (UFAM) – Coari/AM
  • Universidade Nilton Lins – Manaus/AM
  • Universidade Ceuma – São Luís/MA
  • Universidade do Grande Rio (Unigranrio) – Duque de Caxias/RJ
  • Faculdade de Medicina de Itajubá – Itajubá/MG
  • Universidade Brasil – Fernandópolis/SP
  • Universidade de Mogi das Cruzes – Mogi das Cruzes/SP
  • Universidade de Taubaté – Taubaté/SP
  • Faculdades de Dracena – Dracena/SP
  • Faculdade FAFIPE – Penápolis/SP
  • UNIPAC – Juiz de Fora/MG
  • Faculdade Dinâmica – Ponte Nova/MG
  • Centro Universitário das Américas (FAM) – São Paulo/SP
  • FAI – Adamantina/SP
  • Centro Universitário Unifas – Lauro de Freitas/BA
  • Uninorte – Rio Branco/AC
  • UFMA – Pinheiro/MA
  • UniRV – Goianésia/GO
  • FAMP – Mineiros/GO
  • Unesc – Criciúma/SC
  • Ulbra – Canoas/RS

Avaliação periódica

O MEC avalia diferentes áreas a cada ano. Em 2023, os cursos analisados incluíram:

  • Saúde (como medicina, odontologia, enfermagem);
  • Engenharia;
  • Arquitetura;
  • Agronomia; e
  • Tecnólogos diversos.

Erros médicos

Em reportagem publicada na Edição 264 da Revista Oeste, o repórter Mateus Conte revela a alta no número de erros médicos no país.

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2024 foram judicializados mais de 74 mil erros médicos — tanto como danos morais quanto materiais. O número representa um aumento de mais de 500% em relação a 2023, quando foram registrados cerca de 12 mil casos.

Evolução dos processos por erro médico | Fonte: Conselho Nacional de Justiça CNJ

Mas o que está por trás dessa explosão? O país passou a formar médicos menos capacitados? Ou a população está mais consciente dos seus direitos? Para especialistas, não há um único fator determinante, e sim a soma de elementos que culminaram na maior judicialização da história médica do país.

“É muito semelhante àquilo que se fala quando um avião cai: uma conjunção de fatores”, explica Fernando Polastro, voluntário e um dos fundadores da Associação Brasileira de Apoio às Vítimas de Erro Médico (Abravem). Segundo ele, uma das principais explicações para o aumento no número de processos é a crescente conscientização da população sobre seus direitos. “O próprio Código de Defesa do Consumidor dá essa noção para as pessoas de que o atendimento médico é uma relação de consumo como todas as outras.”

Estudo de Los Angeles, nos Estados Unidos, revelou uma droga que elimina o câncer e preserva as células saudáveis. Foto: Reprodução
Em reportagem publicada na Edição 264 da Revista Oeste, o repórter Mateus Conte revela a alta no número de erros médicos no país | Foto: Reprodução/Redes sociais

Responsável por ministrar diversas disciplinas ligadas à saúde pública por cerca de 40 anos na Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), o médico sanitarista Antonio Luiz Caldas Júnior exemplifica como evoluiu essa conscientização: “Se uma mulher ia à escola e não tinha vaga para o filho dela, ela ia à rádio, reclamava, porque desde o início do século 20 a escola pública foi se expandindo como um direito. À tarde, ela ia ao posto de saúde: ‘Ah, minha senhora, só tem vaga para atender o seu filho daqui a dois meses’. E ela se conformava. Hoje, não mais”.

Outro fator crítico destacado por Polastro é a massificação do atendimento médico, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS). “O médico não tem mais a condição de formar uma relação médico-paciente sólida”, explica. Caldas acrescenta: “Se você pegar um médico que atendia 15, 20 consultas num período e, de repente, o secretário de saúde obriga ele a atender 40, com certeza a qualidade vai cair”.

Clique neste link para ler a reportagem completa.

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3 comentários
  1. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    É o retrato de um governo formado por desonestos e semianalfabetos

  2. Marco Polo Gerard Bondim
    Marco Polo Gerard Bondim

    É o Brasil entregue à mediocridade e a “educação” cultural marxista, onde o Capitalismo é o verdadeiro criminosos, mantido graças aos homens brancos e héteros.
    Nessa loucura, as crianças e os jovens ainda em formação, são facilmente aliciados pelos pedagogos das escolas primarias e secundárias, cuja prática leva, prioritariamente, as atividades da área de humanas.
    A tecnologia científica de ponta com matemática, física, química, ciências naturais e correlatas, obriga muito tempo, muito estudo, muita abdicação e, provavelmente, Zero tempo para tergiversar. E a Medicina vai junto!

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