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Anac discute regra que limita indenização moral de aéreas em atrasos

Consulta pública trata de eventos fora do controle operacional

total linhas aéreas - brasil companhias
Aeronaves da companhia Total Linhas Aéreas | Foto: Divulgação/Total Linhas Aéreas

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) abriu consulta pública para mudar a regulação do transporte aéreo. A proposta afasta a responsabilidade moral das companhias aéreas quando atrasos ou cancelamentos decorrem de caso fortuito ou força maior.

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O texto preserva a obrigação de indenizar quando houver falha da empresa. A exclusão de culpa alcança situações como tempestades, fechamento de aeroporto ou ordem de autoridade. A regra já constava em norma de 2020 e ganha detalhamento.

Efeitos no volume de ações contra companhias aéreas

“O efeito prático é você acabar com essa enxurrada de processos na Justiça”, afirmou Adalberto Febeliano, vice-presidente de estratégia da Synerjet, ao jornal Folha de S.Paulo. Ele cita espaço para ações em falhas de manutenção e redução de demandas em massa.

A proposta esclarece a assistência material. Alimentação e hospedagem seguem obrigatórias em atrasos superiores a duas ou quatro horas. O cumprimento desse dever não configura admissão de responsabilidade.

O custo judicial pesa no setor. Em novembro de 2022, o CEO da Azul, John Rodgerson, informou que a empresa é alvo de cerca de 4 mil processos mensais. Em março do ano passado, o presidente da Latam, Jerome Cadier, comentou um retorno de voo por colisão com pássaro: “Posso apostar com vocês que a primeira ação na Justiça contra a companhia aérea pedindo indenização por dano moral por cancelamento deste voo vai chegar amanhã mesmo”.

O texto também exige comunicação clara das aéreas ao passageiro. A empresa deve informar, de forma ostensiva, que “o transporte aéreo é sujeito a eventos decorrentes de contextos operacionais inerentes à atividade, que podem afetar a pontualidade e a regularidade do voo”.

A consulta segue por 45 dias, até 9 de março. A agência realiza audiência pública em 11 de fevereiro. A Superintendência de Serviços Aéreos analisa as contribuições. A versão final vai à votação da diretoria colegiada da Anac.

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