O Brasil possui uma forte indústria de cana-de-açúcar, capaz de produzir cachaça, etanol e eletricidade em abundância. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), são mais de 8 milhões de hectares cultivados em todo o território nacional.
Embora os produtos derivados da cana-de-açúcar beneficiem parte considerável da população brasileira, seu processo de colheita sempre foi objeto de críticas. Algumas delas, pertinentes.
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Por quê?
Os moradores das regiões onde há plantações de cana-de-açúcar sofrem com as queimadas, que são realizadas nos canaviais antes do corte manual da planta. Isso ocorre para facilitar a colheita, melhorar a segurança dos trabalhadores e aumentar o rendimento da atividade. Entretanto, esse processo emite uma espécie de fuligem, composta de até 95 tipos de partículas finas e ultrafinas, além de gases nocivos à atmosfera.
Na prática, isso pode ocasionar problemas respiratórios nos cidadãos.
Solução
Em 2002, após diversas reclamações dos moradores de São Paulo (o maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil), as autoridades estaduais aprovaram uma lei em que determinaram a eliminação gradual das queimadas antes das colheitas nas três décadas seguintes.
De lá para cá, os produtores investiram em equipamentos que permitem cortar a cana sem queimá-la. Em parceria com o governo estadual, a indústria praticamente erradicou as queimadas em 2017. Essa prática continua a ser permitida apenas em regiões íngremes, onde a colheita com as máquinas é difícil. Ainda assim, as queimadas precisam ser abolidas até 2031.
Os resultados dessa medida são notáveis. As palhas da cana-de-açúcar, que anteriormente viravam fumaça, passaram a formar uma manta protetora sobre os campos — o que enriquece o solo. Algumas dessas palhas também são coletadas para gerar energia renovável.
“Não tenho dúvidas de que, hoje, ninguém quer voltar a queimar cana-de-açúcar”, afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Associação Brasileira da Indústria Canavieira, ao portal ProPublica.Org.
Exemplo para o exterior
Esse novo modelo de colheita pode servir de exemplo para o Estado da Flórida, nos Estados Unidos. A região sofre com as queimadas, assim como os paulistas sofriam com essa situação até o início dos anos 2000.
O leitor pode acompanhar a reportagem completa aqui.
Leia mais: “Como colher a passagem do tempo”, artigo de Evaristo de Miranda publicado na Edição 92 da Revista Oeste
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