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Agronegócio

Queijo prato, a invenção de um golpista dinamarquês no Brasil

A iguaria teria surgido por acidente em uma fazenda na região central do Rio de Janeiro

O queijo prato teria surgido por acidente | Foto: Artur Piva/Gemini

Seja no pãozinho do café da manhã, no sanduíche do tipo cheese ou como tira-gosto em uma tábua de frios, o queijo prato é uma paixão nacional. Uma das teses sobre sua origem é tão saborosa quanto o próprio quitute.

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De acordo com Sonia Maria Mattos Luca, historiadora e produtora rural, o queijo prato surgiu na Fazenda Vista Alegre — uma propriedade agrícola no município de Valença, na parte mais central do Rio de Janeiro.

Delio Mattos, pai de Sonia, comprou a Fazenda Vista Alegre na década de 1980. Quando os Mattos assumiram o local, ouviram a história de que o queijo prato teria sido criado ali. Contudo, a versão ganhou força mesmo no começo dos anos 2000, quando um dos parentes do criador da receita visitou a propriedade.

A visitante era Erna Nielsen, que confirmou que Thorwald Nielsen, primo dela, havia inventado a receita por acidente naquela mesma propriedade. A chegada do inventor ao lugar, porém, envolveu uma trama recheada de peripécias de um ancestral de Erna — com trambiques e um romance que cruzaram o Oceano Atlântico.

Queijo prato: da Dinamarca para o Brasil

Dinamarquês de nascimento, Thorwald teria chegado ao Brasil por volta de 1914 para cobrar uma dívida gerada pelo pai de Erna, Rasmussen Nielsen. Ele foi o primeiro da família a emigrar para o outro lado do Atlântico alguns anos antes — contudo, sua saída da terra natal aconteceu em meio a um golpe no seguro de vida.

Rasmussen ganhava a vida na Dinamarca com a venda de manteiga. Porém, os negócios foram de mal a pior, deixando o comerciante muito endividado. Para não ficar na miséria, ele resolveu forjar a própria morte para a família resgatar um seguro de vida. A farsa o fez mudar de identidade e partir rumo ao Brasil para que ninguém descobrisse. Seu nome passou a ser Axel Malm. A ideia deu certo: o dinamarquês enganou até mesmo Johanna, sua mulher e mãe de Erna.

Depois de algum tempo viúva, Johanna decidiu embarcar em um novo romance para refazer a vida. Rasmussen, porém, deixou um amigo de olho na mulher — ele era o único a saber da farsa.

Assim que Johanna noivou, Rasmussen recebeu uma carta do amigo para avisá-lo. Depois de recebê-la, decidiu revelar a verdade à esposa. Ela o teria perdoado e partido para o Brasil. Entretanto, a revelação também chegou aos fiscais da seguradora, e a empresa teria passado a cobrar a dívida dos irmãos de Rasmussen que moravam na Dinamarca — entre eles, o pai de Thorwald.

Na Fazenda Vista Alegre

Na época da descoberta da falsa morte na Dinamarca, Rasmussen era uma espécie de gerente da produção leiteira da Fazenda Vista Alegre. Thorwald, que era técnico em laticínios, não conseguiu fazer o tio pagar a dívida. No lugar do dinheiro, o parente o empregou como mestre queijeiro.

Inicialmente, Thorwald pretendia fazer um produto parecido com o gouda, usando a receita e as bactérias para a cura trazidas da Dinamarca. O clima brasileiro, porém, gerou um resultado diferente do que acontecia na Europa.

Em um dia, por volta de 1915, um lote teria ficado com aspecto emborrachado. Um dos funcionários da linha de produção comentou que o queijo estava gostoso, mas parecia um prato. Em vez de perder a produção, Rasmussen decidiu vendê-lo como uma novidade: o queijo prato.

Na década de 1920, Thorwald, Rasmussen e Johanna resolveram se mudar para o Sul de Minas Gerais, nos arredores do município de Cruzília. Lá, conseguiram comprar terras, montar um laticínio e, a partir daí, iniciar sua própria produção.

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6 comentários
  1. Eloisa Moreira Alvesee
    Eloisa Moreira Alvesee

    Onde está nesta história o dinamarquês Sr. Hans Norremose? Eu o conheci. Morava em Minduri/MG. Morreu aos 102 anos. Segundo eu sei, ele foi o introdutor do queijo suíço no Brasil. A filha dele, Dora, ainda é viva. Creio ser melhor ouvi-la também nesta história. Obrigada.

  2. Luzilene Nielsen
    Luzilene Nielsen

    Admiro muito o trabalho da Oeste, mas vocês não precisavam ocultar meu comentário, fiz uma crítica respeitosa. Como combater a censura, se são os primeiros a calar uma crítica?

  3. Luzilene Nielsen
    Luzilene Nielsen

    O título da matéria sugere que o inventor do queijo prato Thorwald Nielsen, avô do meu marido, seria golpista. Está incorreto, deveria ser corrigido! A família se sentiu incomodada.

  4. Paulo Ricardo
    Paulo Ricardo

    Que história ótima! Isso merecia ser enredo de filme, mas se deixar por conta da nossa classe artística que só se interessa em manipular a história com falácias, isso nunca vai acontecer infelizmente…

  5. Leo Saraiva
    Leo Saraiva

    Pelo bem da família cristã vocês precisam parar de comer o queijo……inventado por um criminoso

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