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Agronegócio

Protestos de agricultores do Rio Grande do Sul completam 20 dias

Produtores rurais pressionam o governo Lula por renegociação de dívidas e auxílio para as perdas causadas por adversidades climáticas

Produtores rurais se concentram em rodovias de várias cidades do Rio Grande do Sul | Foto: Lucas Scheffer/Arquivo Pessoal
Produtores rurais se concentram em rodovias de várias cidades do Rio Grande do Sul | Foto: Lucas Scheffer/Arquivo Pessoal

Agricultores de diferentes cidades do Rio Grande do Sul permanecem organizados em manifestações desde 13 de maio, cobrando soluções do governo Lula para os débitos acumulados por perdas nas últimas safras, causadas por adversidades climáticas.

Os agricultores se reúnem nas margens de rodovias, exibindo faixas e distribuindo panfletos para informar a população sobre a realidade financeira do setor. O principal pleito é a securitização das dívidas, ou seja, a conversão dos débitos em títulos com condições diferenciadas para pagamento e venda.

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Lucas Scheffer, líder do movimento, afirma que os produtores enfrentaram perdas em cinco das últimas seis safras — quatro por seca e uma por enchente —, o que gerou alto endividamento e restringiu o acesso ao crédito em bancos, cooperativas e revendas de insumos.

Sem conseguir quitar os débitos nem financiar o próximo plantio, o grupo propõe alongar o prazo de pagamento para 20 anos, com três anos de carência e juros de até 3% ao ano.

Impacto das adversidades climáticas e situação dos agricultores

Agricultores prometem ampliar os protestos e planejam uma paralisação para a sexta-feira, 30, bloqueando rodovias com tratores e faixas | Foto: Reprodução/Redes sociais
Agricultores enfrentam prejuízos e problemas na produção | Foto: Reprodução/Redes sociais

A crise se aprofundou com a colheita deste ano, que derrubou os preços agrícolas, reduziu margens de lucro e aumentou o risco de prejuízo.

Segundo a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) caiu 2,21% em abril, pressionado pela desvalorização do arroz e por expectativa de safra maior em 2025. O IBGE projeta que a produção de arroz crescerá 14% em relação a 2024, quando houve perdas por chuvas.

Enquanto isso, os custos de produção subiram 0,55% no mês, impulsionados pelo aumento dos fertilizantes e pelo custo de capital de giro, em razão da alta da Selic. No acumulado de 12 meses, os custos avançaram 5,3%, enquanto o IIPR recuou 0,65%.

Os dados revelam que a inflação dos alimentos, que soma 7,81% em 12 meses segundo o IPCA, é puxada pelas etapas de distribuição e comercialização, não pela produção no campo.

As manifestações seguem sem prazo para encerrar. A adesão varia, já que parte dos agricultores está envolvida no plantio de inverno, com culturas como trigo, aveia e canola. Uma mobilização está marcada para o dia 16, em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre.

Propostas no Congresso Nacional

Essa sugestão está no Projeto de Lei 320/2025, apresentado pelo senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) em 21 de maio. O texto prevê a renegociação das dívidas de agricultores afetados por eventos climáticos desde 2021, com a conversão dos débitos em títulos garantidos pelo Tesouro Nacional e condições especiais de pagamento.

Por enquanto, o projeto ainda aguarda a escolha de um relator na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Enquanto isso, o Conselho Monetário Nacional publicou a Resolução 5.220/2025, que permite que bancos adiem o vencimento de créditos rurais: até três anos para operações de custeio e um ano adicional para financiamentos de investimento.

A medida, porém, gerou insatisfação entre produtores do Estado. O adiamento das dívidas de custeio se aplica apenas a participantes dos programas Pronaf e Pronamp. Os demais produtores só podem renegociar contratos com recursos equalizados, limitados a 8% da carteira da instituição financeira.

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