Fábio Eckert, produtor de arroz do município de Tapes, a pouco mais de 100 km de Porto Alegre, viralizou nas redes sociais ao fazer um desabafo. Em vídeo gravado em sua propriedade, ele alerta para os riscos de toda a cadeia produtiva. “Se você não consumir uma colher de arroz a mais por semana, nossa lavoura pode desaparecer”, diz.
O cultivo, segundo ele, é feito à mão. Mas isso não basta para cobrir os custos. Eckert afirma que negocia a venda da sua produção por R$ 60 a R$ 65 a saca. O custo para colocar o alimento no mercado, no entanto, passa dos R$ 85. Ele prevê prejuízo de R$ 20 por saca na próxima safra. “É um cenário insustentável.” Dados estatísticos mais recentes mostram, de fato, um recuo no consumo do cereal. Segundo estudos como os da Embrapa, desde 1985, o consumo per capita de arroz caiu de mais de 40 kg/ano.
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“O melhor arroz do mundo”
Na mensagem endereçada aos seus mais de 230 mil seguidores, o agricultor diz que, “aqui, no Rio Grande do Sul, temos o melhor arroz do mundo”. Contudo, diz que a falta de divulgação e valorização do alimento prejudica os produtores. Nesse sentido, sugere que seus seguidores e o público em geral compartilhem seu vídeo.
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“Mesmo que tenha apenas algumas centenas de visualizações, para que a mensagem chegue mais longe: vocês, que têm 200 ou 300 visualizações, já estão fazendo algo imenso”, afirmou. Em suas palavras, o arroz é “rico, nutritivo, barato, milenar”, mas sua cadeia de produção pode ruir se não houver mais consumo.
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A situação de Eckert reflete tensões mais amplas no setor arrozeiro gaúcho. O Rio Grande do Sul é responsável por cerca de 70% da produção nacional de arroz, segundo dados do IBGE. Na safra 2023/24, o Estado colheu mais de 7 milhões de toneladas, conforme relatório do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Apesar dos números relativamente expressivos, a produção não está livre de sofrimento: na última safra, foram perdidos mais de 45 hectares por enchentes — cerca de 5% da área plantada. É uma dimensão territorial equivalente a quase 70 campos de futebol oficial.
No entanto, há também motivos para esperança: na safra 2024/25, o Rio Grande do Sul registrou produtividade inédita para arroz irrigado, de 9.044 kg por hectare, aponta o IRGA. O avanço técnico resultou de investimentos em genética, pesquisa e práticas agrícolas modernas.
Eckert não apenas pede mais consumo; ele exige ação institucional. O agricultor quer que sindicatos, entidades federais e organizações rurais invistam em campanhas publicitárias para estimular o consumo de arroz nacional. Para ele, é urgente valorizar o alimento e reconhecer o esforço dos produtores.
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