publicidade
Agronegócio

Principal fornecedor de trigo para o Brasil, agro argentino pode ter a maior colheita do grão na história

Sem a importação, não haveria pão, pizza, macarrão e quase todas as massas em quantidade suficiente para alimentar o país

Conab trigo Brasil
Trigo é um dos destaques do agronegócio brasileiro | Foto: Reprodução/Pixabay

Do pão francês à macarronada de domingo, grande parte da mesa dos brasileiros depende do trigo. Mas o grão está na lista dos raríssimos alimentos que o agro do Brasil ainda não produz em volume suficiente para atender à demanda interna. O jeito é importar. Um ótimo negócio para os argentinos, que devem colher 24,5 milhões de toneladas na safra de 2026. É a maior colheita da história, segundo os registros da Bolsa de Rosário — o principal balcão de negócios da agricultura argentina.

+ Leia mais notícias de Agronegócio em Oeste

Receba nossas atualizações

A Argentina tem praticamente tanta gente quanto o Estado de São Paulo: cerca de 46 milhões de habitantes. É pouco menos de um quarto da população do Brasil. Em 2026, os brasileiros devem consumir quase 12 milhões de toneladas de trigo, mas a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a colheita nacional em pouco menos de 8 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, a demanda dos hermanos é de cerca de 7 milhões de toneladas.

Trigo por dólar na Argentina

As 17 milhões de toneladas que sobram viram um nutriente em falta na economia argentina: dólares. O excedente é vendido no mercado externo — grande parte comprado pelos vizinhos do país ao lado para fazer uma infinidade de produtos. Além de pão e macarrão, bolos, pizzas, pastéis, lasanhas, as esfirras do botequim da esquina e a maior parte de todas as massas que os brasileiros tanto comem.

Entre consumo e recomposição de estoques, a Conab estima a importação de quase 7 milhões de toneladas. A julgar pelo histórico oficial da balança comercial, os argentinos serão os principais exportadores. As lavouras da Argentina forneceram por volta de 80% de todo o trigo comprado pelos brasileiros no mercado externo ao longo dos primeiros dez meses de 2025. Ganharam US$ 1 bilhão em troca de 4,5 milhões de toneladas do grão.

Por que o agro do Brasil (ainda) não consegue?

A maior dificuldade para a produção no Brasil é o clima. Embora Empresa Brasileira de Tecnologia Agropecuária (Embrapa) tenha desenvolvido plantas adaptadas a regiões quentes como as cultivadas em Roraima, ainda não foi o suficiente para o cultivo interno ter custos competitivos quando comparado ao produto importado.

Assim como os outros grandes produtores mundiais, os gigantes globais desse tipo de cultura não plantam nas áreas tropicais. É justamente a região do globo onde está a maior parte do território brasileiro. Contudo, com a ajuda da Embrapa, os agricultores do Brasil conseguiram vencer essa barreira em outras culturas, como a soja (hoje o carro-chefe do agronegócio nacional), um testemunho de que a autossuficiência — mais do que possível — é bastante provável.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade