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Agronegócio

Polenta: o prato mais americano da Itália

Assim como o chocolate, essa receita mostra o quanto a humanidade ganha quando os povos se encontram para trocar o que têm de melhor

A receita precisa de fubá e e tomate, dois vegetais que surgiram nas Américas

Quando dois povos trocam entre si o que têm de melhor, a humanidade ganha por gerações. A abundante oferta de alimentos nas mesas mundo afora é um exemplo disso. Uma das provas é a polenta, prato que se tornou possível apenas quando um sabor nativo da América chegou à Itália — e esse não é um caso isolado.

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A matéria-prima mais básica para a polenta é o fubá — a farinha de milho. Nativo da América, esse grão chegou à Europa somente porque navegadores fizeram a travessia entre os dois continentes. O mesmo aconteceu com o tomate, outro ingrediente fundamental na culinária italiana. A macarronada com molho à bolonhesa, aliás, marca o encontro de três povos diferentes.

Além da polenta

O macarrão chegou à Itália graças ao comércio com as nações da região da Ásia onde hoje ficam países como China, Vietnã, Japão e as duas Coreias. Os cozinheiros da Velha Bota, misturaram a massa de trigo à moda asiática com o molho do fruto vermelho da América — as inovações não pararam por aí.

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O molho de tomate acabou inundando as cozinhas por toda a Itália. Pratos como pizzas, lasanhas, raviólis e até mesmo a polenta também têm esse mesmo toque, além de outros sabores americanos.

A tortéi, por exemplo, é uma massa muito tradicional para os italianos, cujo recheio leva abóbora. Trata-se de outro dos vegetais que chegaram ao Velho Mundo apenas depois que os navegadores cruzaram o Atlântico. E os italianos não foram os únicos cozinheiros europeus a se beneficiar dos ingredientes descobertos do outro lado do planeta.

Quase uma unanimidade, a origem do chocolate remete a um encontro euro-americano que aconteceu pela primeira vez na Jamaica durante o século 17. O cacau era um velho conhecido dos povos originários, mas a vaca, fonte do leite para o quitute, não existia do lado deles do Atlântico.

Do xocolatl ao chocolate

Antes da introdução desse animal ao novo mundo, a mistura era feita com água e gerava uma amarga bebida cujo nome era xocolatl — receita dos maias e astecas. A coisa começou a mudar quando o barão Hans Sloane visitou a então colônia britânica e viu os nativos tomando o líquido feito de cacau e água quente.

Sloane adicionou leite e conseguiu um gosto mais suave à receita em 1687. Anos mais tarde, ele se estabeleceu como médico em Londres e passou a prescrever a receita para os pacientes, levando alguns boticários a fabricá-la. Ainda assim, nada das barras. Elas surgiram dois séculos depois — e três povos precisaram se encontrar novamente.

Em 1875, Daniel Peter, um suíço, fez as primeiras barras de chocolate depois de adicionar torrões de cacau a um alimento produzido em seu país pelo amigo e conterrâneo Henri Nestlé. Era o leite condensado, inventado nos Estados Unidos poucos anos antes por Gail Borden.

A invenção de Borden surgiu da necessidade de manter o alimento produzido pelas vacas por mais tempo. Para isso, ele ferveu o leite e adicionou açúcar, o que o tornou mais denso e resistente.

O adoçante, por sua vez, vem da cana-de-açúcar. É uma planta asiática que os portugueses levaram para a América. O cultivo dessa espécie colocou o Brasil no mapa. A atividade gerou a riqueza necessária para dar origem às primeiras cidades e vilas locais.

Polenta no Brasil

Quem duvida que essa história foi importante para a formação urbana nacional, basta olhar para um dos mais icônicos cartões-postais do país: o Pão de Açúcar. É um dos pontos turísticos mais visitados do Rio de Janeiro — a cidade brasileira mais famosa do mundo.

O lugar foi feito pela natureza. Contudo, seu formato lembra exatamente o recipiente usado para secar o caldo de cana que dá origem ao açúcar. O produto recém-formado era chamado de pão de açúcar.

O método parou de ser usado na segunda metade do século 19. Mais ou menos nessa mesma época, os imigrantes italianos começaram a chegar em massa ao Brasil — e, finalmente, adicionaram a polenta, com e sem molho de tomate, ao cardápio nacional.

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