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Agronegócio

Organização veta açaí no cardápio da COP30

Edital para alimentação ainda prioriza plantas em vez de carnes

O açaí é capaz de neutralizar os radicais livres, que, em excesso, causam prejuízo como Alzheimer e Parkinson | Foto: Reprodução/Pixabay
O açaí é capaz de neutralizar os radicais livres, que, em excesso, causam prejuízo como Alzheimer e Parkinson | Foto: Reprodução/Pixabay

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP30), marcada para ocorrer entre 3 e 28 de novembro, em Belém (PA), não terá açaí no cardápio dos restaurantes instalados nos locais do evento. A decisão consta do edital publicado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), responsável pela seleção e contratação dos operadores desses estabelecimentos.

De acordo com o documento, todos os tipos de açaí estão proibidos, com a justificativa de que o produto apresenta “risco de contaminação por Trypanosoma cruzi, se não for pasteurizado”. A restrição também se estende a outros alimentos regionais, como tucupi e maniçoba.

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O Trypanosoma cruzi é o protozoário responsável pela Doença de Chagas, enfermidade que pode ser transmitida pela ingestão de alimentos contaminados. Pesquisas recentes mostram que, atualmente, essa via de transmissão supera a picada do inseto barbeiro e é a principal fonte de contaminação em regiões como a Amazônia.

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Apesar das restrições, o edital determina que ao menos 30% dos ingredientes usados nos cardápios sejam de origem local ou sazonal, como forma de priorizar a culinária regional. Ao todo, serão quase 90 pontos de alimentação.

As diretrizes preveem ainda que os cardápios incluam opções veganas, vegetarianas, sem glúten e sem lactose, além de pratos adaptados a restrições religiosas. Há também a orientação de “priorizar refeições à base de plantas” e de incentivar “a redução gradual do consumo de produtos de origem animal, dando foco especial na diminuição da carne vermelha”.

O edital exige que 30% do valor total dos insumos adquiridos seja proveniente da agricultura familiar. As empresas deverão informar a origem dos produtos para comprovar o cumprimento dessa exigência.

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A comercialização de bebidas alcoólicas será permitida apenas entre 15h e 21h, em estabelecimentos previamente autorizados. Para obter essa autorização, será necessário enviar solicitação com detalhes sobre tipo, marca, envase e quantidade das bebidas, acompanhada das notas fiscais e de declaração de ciência das regras de horário e proibição de venda a menores.

A organização segmentou os serviços de alimentação em seis tipos de culinária: VIP Internacional; VIP Brasileira/Regional; Italiana; Vegana/Vegetariana; Pan-americana; e Brasileira e Regional.

Restaurantes VIPs, por exemplo, deverão oferecer pratos à la carte, através de técnicas e temperos autênticos com apresentação contemporânea, ou técnicas tradicionais com apresentação refinada.

A realização da COP30 em Belém, no Pará, tem sido um dos principais 'investimentos' do governo Lula | Foto: Ricardo Stuckert/PR
A COP 30 é uma das principais bandeiras do governo Lula | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em resposta à imprensa, a OEI afirmou que “o fornecimento de alimentos na COP30 segue diretrizes técnicas rigorosas” definidas pelas Nações Unidas e pelos “protocolos de segurança alimentar estabelecidos” pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A entidade acrescentou que “a utilização de alguns ingredientes específicos como ostras cruas, carnes mal passadas e outros alimentos não pasteurizados (por exemplo, o açaí e a maniçoba) serão evitados na COP30 devido ao alto risco de contaminação” e que a recomendação para reduzir o consumo de carne vermelha está prevista no manual de realização do evento.

Uma audiência pública sobre o edital será realizada na próxima terça-feira, 19, para apresentar detalhes do processo, ampliar a participação de empreendedores locais e esclarecer dúvidas sobre a ocupação dos espaços de alimentação.

Leia também: “É uma tragédia – temos comida demais”, artigo de J. R. Guzzo publicado na Edição 200 da Revista Oeste

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6 comentários
  1. ECM
    ECM

    Não seria melhor intensificar a fiscalização e exigência de pasteurização? Assim, protegeriam o país todo. Afinal o açaí desta região é enviado para todo o Brasil. Nosso povo é menos importante que essas pessoas da COP30? Para o povo “chagas” não é?

  2. vanderley donizete das chagas
    vanderley donizete das chagas

    Se atentarem para a contaminação e higiene não servirão nada aos visitantes.
    Quem conhece a região sabe do que estamos falando.

  3. Daniel Pinheiro Silveira Borba
    Daniel Pinheiro Silveira Borba

    O açaí que nós consumimos também é tão rigorosamente fiscalizado?

  4. paulo jose do nascimento filho
    paulo jose do nascimento filho

    O pior será a contaminação ideológica. Está sim, é mais perigosa

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