O couro da jaqueta vendida na Shopee já foi a pele de um animal. Geralmente, de gado bovino — bois e vacas que alimentam a indústria da moda há séculos. A criação de muitos desses animais se mantém graças aos grãos de soja brasileiros.
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De fato, o gado brasileiro passa a maior parte da vida no pasto. Só no fim do ciclo de engorda vai para o confinamento — e aí entra a soja.
Em outros grandes produtores, é diferente: a regra é confinar. E aí, o grão de soja é fundamental como fonte de proteína vegetal. O bicho precisa desse alimento para formar a carne, a carcaça — e o couro.
Na China, é exatamente assim: confinamento, com muita soja. Nesse mesmo país, são fabricadas muitas das roupas e calçados vendidos na Shopee — feitos com o couro formado em animais alimentados com os grãos fornecidos pelo Brasil.
Da plantação do Brasil à jaqueta na Shopee
Embora sejam os maiores consumidores de soja em todo o planeta, os chineses não são grandes produtores. A maior parte da demanda chinesa é abastecida por fazendas do outro lado do mundo: justamente no Brasil, o país com a maior safra da cultura em todo o planeta.
O Brasil produz 40% da soja do mundo. Mas consome menos da metade disso. O grande motor da produção nacional é o mercado externo, com destaque para os chineses.
Por volta de 60% da safra brasileira vai para exportação. A China importa 60% do que consome — e boa parte vem daqui.
Os números das transações desses produtos entre os dois países em 2024 revelam um mercado de duas montanhas: a dos grãos exportados pelos brasileiros — 75 milhões de toneladas — e a dos dólares pagos pelos chineses por eles: US$ 31,5 bilhões. É mais do que a riqueza gerada por alguns países inteiros.


































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