Há poucos meses, a MBRF se tornou o mais novo nome no time de gigantes do agronegócio brasileiro. Na segunda-feira 10, o mercado conheceu o primeiro relatório com os resultados do negócio: lucro líquido de R$ 94 milhões no último trimestre. Mas essa é somente a ponta de um iceberg de muita riqueza. A sigla vem da fusão dos nomes das companhias que lhe deram origem: a Marfrig e a BRF. A união colocou na mesma cesta marcas tradicionais, como Montana, Bassi, Perdigão e Sadia.
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O arquiteto por trás da nova sigla é Marcos Molina, fundador e controlador do Grupo Marfrig. Em pouco mais de três décadas, ele passou de alguns frigoríficos no interior de São Paulo para uma das maiores processadoras de carne bovina do mundo. Com rótulos como Bassi e Montana, ostenta, por exemplo, o título de maior fabricante de hambúrgueres em todo o planeta.
Como surgiu a MBRF — a nova dona da Sadia
As operações que levaram à fusão tiveram início em 2021, quando Molina usou o império para comprar 24% das ações da BRF, formada por Perdigão e Sadia. Na mira do empresário estava uma cadeia global de produção de suínos e, principalmente, de aves — entre elas o frango, porta de entrada para um mercado com mais de 2 bilhões de consumidores ao redor do mundo que seguem as mesmas restrições alimentares impostas pela religião — os muçulmanos.

Os alimentos muçulmanos são conhecidos como halal, palavra árabe para “permitido”. Dentro dessa religião, o tipo de carne mais barato é o de frango. A Sadia se tornou referência mundial na produção segundo as determinações desses consumidores. Sua expertise chegou ao ponto de atrair investimentos da Família Real Saudita, hoje sócia de 10% da BRF — atrás apenas da Marfrig, que agora detém mais da metade das ações.
No começo de setembro de 2025, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou o acordo para a Marfrig incorporar a BRF. Desse modo, surgiu a MBRF. O relatório publicado na segunda-feira se refere às operações do terceiro trimestre (julho a agosto deste ano). O lucro líquido de R$ 94 milhões é o cume de um faturamento bruto de quase R$ 42 bilhões em vendas no mesmo período. Em 2020, antes do início da aquisição, o grupo de Molina precisava de praticamente três vezes mais tempo para faturar o mesmo dinheiro.
De onde vem o lucro?
Grande parte do faturamento do grupo vem da América do Norte, mercado responsável por 47% de toda a receita ao longo do terceiro trimestre. A BRF responde por 39% das vendas, e a América do Sul, por outros 39%. Atualmente, o dólar é a principal moeda corrente no caixa da empresa: 73% dos ganhos acontecem nessa moeda — o real representa 25%, e o restante fica com as demais.
Dentro da América do Norte, o grande destaque fica para os Estados Unidos: 42% de todos os ganhos da empresa. O Brasil responde por 24% da receita. E o Oriente Médio, onde está a maior fatia dos muçulmanos, por 8% — região em que a Sadia tem uma gigantesca participação no mercado de aves e passou a vender carne bovina da Marfrig.
O relatório também lista operações na China (6%), na Europa (5%), na Ásia e na Oceania (3%), no Japão (3%), na Argentina (1%), no Chile (1%) e no Uruguai (1%). Nesses mercados, assim como no brasileiro e no norte-americano, as operações suínas da BRF são mais um reforço para o império de Molina. Os chineses, por exemplo, são os maiores consumidores desse tipo de proteína no mundo — com mais de 1 bilhão de bocas para alimentar — e também adoram frango e carne bovina.






































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