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Agronegócio

Mato Grosso volta a superar a Argentina na produção de soja

Os argentinos estão em terceiro lugar no ranking mundial da safra do grão

A soja passou a cobrir as lavouras. De safra em safra, o plantio ganhou cada vez mais espaço | Foto: Shutterstock

Por volta de quatro de cada dez grãos de soja que existem no mundo foram colhidos no Brasil. O país é o líder mundial desse mercado. E grande parte da proeminência nacional se deve a um Estado: Mato Grosso.

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Ao longo de 2026, os agricultores de Mato Grosso devem colher quase 50 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. O Estado é o maior produtor do grão no país, responsável por 28% da safra nacional. A colheita estadual de 2026 deve superar a da Argentina (48,5 milhões de toneladas) — a terceira maior entre os países produtores.

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É a segunda vez que os agricultores mato-grossenses conseguem esse feito. A primeira ocorreu em 2022, quando os argentinos enfrentaram severos problemas de estiagem. Agora, é diferente: não há falta de chuvas e a perspectiva para 2026 é a segunda maior desde o começo da década — perde apenas para a do ano anterior (50 milhões de toneladas).

Por que Mato Grosso produz tanta soja?

Um dos segredos para os bons números do Estado é a capacidade de aproveitamento do solo. Para cada hectare dedicado ao cultivo, o Estado produz mais do que o dobro da média argentina.

As lavouras de Mato Grosso produzem quase 4 toneladas do grão por hectare. Os argentinos conseguem colher somente 1,6 tonelada no mesmo espaço. A vantagem nacional tem nome e sobrenome: ciência e tecnologia.

Com perícia em ciência e tecnologia, o Brasil conseguiu desenvolver plantas adaptadas ao clima mato-grossense e técnicas de cultivo cada vez mais eficientes. Como por lá não existem invernos rigorosos, os agricultores conseguem colher mais de uma safra por ano na mesma área. Esses fatores elevam a capacidade produtiva a níveis que nenhum outro lugar do planeta tem ainda, embora seja possível adaptar a expertise nacional a outras áreas tropicais ao redor do globo.

A trajetória para o sucesso se deu por meio da parceria de uma estatal com o setor privado. Contudo, diferente do que aconteceu com outras empresas controladas pelo governo federal no Brasil, ela não foi tomada pela corrupção. Trata-se da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O foco dessa estatal não é cultivar lavouras nem criar animais. Em vez disso, a Embrapa se dedica a produzir ciência e tecnologia de modo integrado com os produtores. A fórmula tornou o Brasil líder na agricultura tropical em todo o planeta — capaz de exportar, além de soja, uma safra ampla de conhecimento.

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