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Agronegócio

Grupo Prime pede recuperação judicial com dívida de R$ 790 milhões

Empresas e produtores rurais da família Montans Braga atribuem crise ao crédito caro, à queda das commodities e à piora das condições no campo

grupo prime - recuperação judicial - agro
Grupo Prime atua nas áreas de agricultura sustentável, manejo biológico, regeneração de solo e monitoramento técnico | Foto: Reprodução/Facebook/Prime Agro

O Grupo Prime, controlador da Prime Agro Produtos Agrícolas, entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça do Paraná e informou um passivo de R$ 790,2 milhões. O processo reúne seis empresas e cinco produtores rurais ligados à família Montans Braga.

Fundado em 2013, em Toledo (PR), o grupo atua nas áreas de agricultura sustentável, manejo biológico, regeneração de solo e monitoramento técnico. Atualmente, possui 263 funcionários e atende mais de 500 clientes em 20 Estados.

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Leia também: “Campo em crise“, artigo de Artur Piva e Eliziário Goulart Rocha, publicado na Edição 326 da Revista Oeste

Além da Prime Agro, o pedido envolve as empresas Agropecuária Caiana, Juruá Participadora de Bens, Acaia Serviços Administrativos, Agropecuária Alterosa e Agropecuária Candeia, além de produtores rurais da família controladora.

Grupo cita juros altos e crise no agronegócio

Na ação, o grupo afirma que a crise decorre da combinação entre elevado endividamento, aumento do custo do crédito, restrição de liquidez e piora das condições de mercado no agronegócio.

A defesa menciona a alta da Selic e do CDI, a queda dos preços de commodities como soja e milho, eventos climáticos adversos, a retração do crédito rural e o ciclo de baixa da pecuária.

Segundo a empresa, parte relevante das dívidas foi assumida durante um período de expansão operacional. Com a redução das margens no campo e o encarecimento dos financiamentos, o fluxo de caixa passou a sofrer pressão.

pecuária - criação de gado no pará - a força do gro
O processo ainda está em fase inicial e aguarda análise da Justiça paranaense | Foto: Bruno Cruz/Agência Pará

Do total do passivo, R$ 397 milhões correspondem a créditos sujeitos à recuperação judicial. Outros R$ 394 milhões aparecem classificados como extraconcursais.

Entre as dívidas incluídas no processo, os credores quirografários concentram R$ 282 milhões. O Banco do Brasil aparece como único credor com garantia real, com R$ 106,1 milhões.

Na lista de créditos extraconcursais, o maior credor é o Prime Agro Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), com R$ 190 milhões. Também figuram Santander, Caixa Econômica Federal, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Bradesco.

O grupo pede que fazendas, equipamentos, caminhões, veículos, estrutura logística e uma aeronave sejam considerados bens essenciais à atividade. O processo ainda está em fase inicial e aguarda análise da Justiça paranaense.

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