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Agronegócio

Embrapa descobre 'diálogo' entre milho e lagarta

Característica pode virar ferramenta para afastar uma das piores pragas das lavouras do país

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Milho pronto para ser colhido | Foto: Shutterstock

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) descobriu que plantas e lagartas podem se comunicar. Essa capacidade pode revolucionar a agricultura.

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De acordo com a pesquisa, a lagarta-do-cartucho responde a sinais enviados por meio de substâncias químicas pelo milho e pela crotalária, planta de cor amarela e caule verde fino. Agora, os técnicos pretendem usar essa espécie de diálogo sem palavras como arma no combate a pragas — algo vital para a agricultura tropical.

A crotalária exala um perfume capaz de repelir a praga, enquanto o milho libera odores de atração. O estudo foi realizado por Bruna Sartório de Castro, estudante de mestrado da Universidade de Brasília, sob orientação de Maria Carolina Blassioli-Moraes, pesquisadora da Embrapa. Ambas as características podem ser usadas de forma estratégica para proteger a lavoura.

Como usar o diálogo contra a lagarta-do-cartucho?

“Em se plantando tudo dá”, frase atribuída a Pero Vaz de Caminha sobre o Brasil, não é exatamente a realidade do país. Ao mesmo tempo em que é uma vantagem, o calor do clima tropical gera grandes problemas. De fato, a temperatura quente favorece a vida dos vegetais. Mas esse fator também se estende à vitalidade das pragas. Em lugares com invernos rigorosos, como a América do Norte e a Europa, o frio faz o trabalho de reduzir a população de insetos e lagartas. Sem essa ajuda, a agricultura precisa de tecnologia para prosperar.

Plantação de crotalária | Foto: Ana Lúcia Ferreira/Embrapa

Um dos métodos é o uso de defensivos químicos — feito com prescrição, controle e segurança. Contudo, a natureza também oferece outros caminhos, como, por exemplo, capturar o bicho para fazer o manejo. A “conversa” química é uma delas.

O plantio da crotalária ao redor dos milharais, por exemplo, é uma solução de baixo custo para manter a praga longe da produção. A emissão do perfume cria uma barreira natural que afasta o bicho. Segundo Maria Carolina, o poder de atração pode ser usado para criar armadilhas. A ideia é, a partir disso, criar iscas sintéticas para atrair as mariposas que produzem as larvas.

Milho, soja e outras culturas

A Embrapa classifica a lagarta-do-cartucho como uma das pragas mais destrutivas para a agricultura brasileira. “Esse inseto é altamente polífago, o que significa que ataca não apenas o milho, mas também diversas outras culturas de importância econômica para o país, como soja, algodão e arroz”, informa. Ela se alimenta das folhas e do cartucho, a parte central da planta, causando danos diretos que podem levar à redução drástica na produtividade. Infestações severas podem destruir uma lavoura inteira.

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