Uma disputa no Uruguai expõe a rivalidade de dois gigantes do agronegócio brasileiro. Trata-se de Marfrig e Minerva, que entraram em rota de colisão no fim de agosto. O motivo sobre a mesa? Algumas operações no pequeno país, com 3 milhões de habitantes. Por baixo do pano, a briga de dois gigantes pelas facilidades em ter a preferência de um sócio com dinheiro e poder quase ilimitados: o Reino da Arábia Saudita.
Por meio de um comunicado ao mercado publicado na última segunda-feira, a Marfrig anunciou a suspensão da entrega do controle de alguns frigoríficos no Uruguai à Athos Food. Trata-se de uma subsidiária do Minerva.
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Foi a cisão de um negócio firmado dois anos antes, quando o vendedor levantava fundos para consolidar seu controle sobre a BRF. Em resposta, o Minerva informou não aceitar o distrato.
Uma das maiores processadoras de alimentos em todo o planeta, a BRF hoje está sob controle da Marfrig — que detém mais de 50% das ações. Contudo, o segundo maior sócio da companhia é a Arábia Saudita.
Marfrig, Minerva e a Arábia Saudita
No Oriente Médio, o caixa do reino é abastecido por uma das maiores reservas de petróleo do planeta e precisa de parceiros para garantir a segurança alimentar da população. O interesse saudita pela companhia se dava principalmente em razão da carne de frango. Trata-se do tipo mais barato de proteína animal permitido no Islã, religião com a qual se fundamenta o poder da família real sobre a população saudita — majoritariamente muçulmana.
Quando o assunto era carne bovina, outra importante fonte de nutrição para o mundo islâmico, o grande parceiro da realeza árabe era o Minerva. O país é o maior sócio do grupo, embora o controle sobre as decisões permaneça nas mãos dos fundadores brasileiros do negócio. A Marfrig, porém, é uma das maiores processadoras desse tipo de proteína animal no mundo e mirou no potencial da BRF para ganhar ainda mais mercado ao redor do globo.
Em outubro de 2024, por exemplo, a BRF anunciou que sua marca Sadia passaria a vender carne bovina fornecida pela Marfrig. É um nome amplamente conhecido no mercado árabe. Ele remonta às primeiras operações de exportação de proteína animal do Brasil para a Arábia Saudita, iniciadas pelo fundador da marca no fim da década de 1970.
Além disso, BRF está em processo de fusão com seu controlador. A Arábia Saudita deu parecer favorável à união. Caso a operação se consolide, a Marfrig tende a se tornar proeminente no mercado árabe, e o Minerva pode virar uma joia de menor valor para a realeza do Oriente Médio.
































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