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Agronegócio

China precisa do Brasil para comer

O apetite chinês vai além da comida — e chega na indústria

Xi Jinping, ditador chinês | Foto: Ricardo Stuckert/ PR

Em visita à Pequim, o presidente Lula fez questão de enaltecer a ditadura encabeçada pelo Partido Comunista Chinês. Para muitos, parece pragmatismo diplomático, mas a balança comercial entre Brasil e China mostra algo ainda mais revelador: uma interdependência crescente — em que os brasileiros fornecem elementos cruciais para a sobrevivência e prosperidade chinesa. É o que sustenta o ditador no poder.

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Começa pelo prato. A principal fonte de carne nas mesas chinesas depende diretamente do agro brasileiro. O gigantesco rebanho suíno da China é alimentado, em boa parte, com soja colhida no Brasil.

Cerca de 70% de toda a soja consumida pelo gigante vermelho vem das lavouras brasileiras. Rico em proteína, o grão é essencial na produção de ração para engorda — a base da carne.

Do grão à carne: a China tem fome de Brasil

A China tem o maior rebanho suíno do planeta. Abate cerca de 700 milhões de cabeças por ano, gerando 57 milhões de toneladas de carne. Isso representa quase 70% de todo o consumo de carne dos chineses. E a ração feita com soja brasileira também nutre outros animais essenciais à dieta local.

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Ela é usada para engordar frangos, patos e peixes. O mesmo vale para o rebanho bovino do país, majoritariamente confinado — um modelo que só existe graças à ração. Sem soja brasileira, não tem picanha, nem queijo, nem manteiga.

O vínculo supera a engorda local. O país importa cerca de 33% de sua demanda por carne bovina — quase metade vem de frigoríficos brasileiros.

Mais do que comida

A indústria da China, fonte de sua relevância global, também tem fome de Brasil. Os chineses usaram 1,3 bilhão de toneladas de minério de ferro em 2024, cerca de 20% vieram das minas brasileiras. Outro dos exemplos relevantes envolve um dos minerais mais estratégicos para o setor: o nióbio.

Os chineses usam o ferro-nióbio para dar leveza e resistência a ligas metálicas, e o óxido de nióbio para fabricar baterias mais duráveis e eficientes — peças fundamentais para luminárias, notebooks e carros elétricos.

Os brasileiros abastecem por volta de 90% do mercado mundial de nióbio. Por enquanto, somente o esgotamento do mineral encerraria essa dependência — quase todas as reservas conhecidas do mineral estão aqui.

Além de tudo isso, o Brasil ainda é um mercado gigante, com 200 milhões de consumidores dispostos a comprar computadores e carros elétricos chineses. Vale ressaltar: nenhum brasileiro vai morrer de fome se essas mercadorias sumirem. Mesmo com essa vantagem fundamental quanto ao tipo de dependência, Lula insiste em gestos de simpatia à ditadura — algo muito mais ideológico do que pragmático.

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