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Agronegócio

Cargill diz que ainda não retomou terminal invadido no Pará

Mesmo depois de revogação de decreto sobre hidrovias, indígenas seguem no acesso; empresa relata danos e risco cibernético

Indígenas invadiram o terminal da Cargill em Santarém (PA) contra uma decisão do governo Lula que eles chamam de “decreto da morte” | Foto: Reprodução/X invasão indígena
Indígenas invadiram o terminal da Cargill em Santarém (PA) contra uma decisão do governo Lula que eles chamam de “decreto da morte” | Foto: Reprodução/X

O diretor de Portos e Transportes Fluviais da Cargill na América Latina, Regis Prunzel, afirmou nesta quarta-feira, 25, que a empresa ainda não conseguiu retomar o controle da unidade de Santarém (PA), invadida por indígenas em protesto contra o Decreto 12.600.

Mesmo com a revogação da norma, manifestantes seguem na via de acesso, e as câmeras internas foram destruídas. Segundo ele, o terminal foi invadido na madrugada de sábado (21), com quebra de portas, equipamentos e sistemas.

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Funcionários deixaram o local com apoio da Guarda Portuária. A empresa cortou a energia e isolou a unidade da rede corporativa diante do risco de invasão de sistemas e ataque cibernético.

A ocupação foi motivada pelo Decreto 12.600, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto de 2025, que incluiu as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND). O governo afirma que a medida autorizava apenas estudos técnicos, não a privatização dos rios.

Decreto sobre hidrovias está na origem do impasse da Cargill

Indígenas invadem terminal da Cargill em Santarém
Indígenas invadem terminal da Cargill em Santarém (PA) | Foto: Reprodução/X

Para indígenas de 14 povos do Baixo e Médio Tapajós, a inclusão do rio no programa abriria caminho para intensificação do escoamento de commodities e afetaria o modo de vida das comunidades. O grupo já havia protestado na COP30, em novembro de 2025.

A advogada da Cargill no Brasil, Sandra Silva, afirmou que a companhia se sentiu “sozinha” durante a crise. Segundo ela, a empresa nunca defendeu a revogação do decreto, mas queria o cumprimento das decisões judiciais para desobstrução do terminal.

O Ministério de Portos e Aeroportos havia informado que acionaria a Advocacia-Geral da União para garantir a retirada dos manifestantes e a segurança dos funcionários. Até o momento, segundo a empresa, o terminal segue sem energia e sem controle operacional pleno.

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