Mais do que um hábito cotidiano, a xícara de café é um dos grandes motores de riqueza para o Brasil. A safra de 2025 deve render quase R$ 115 bilhões aos produtores. O valor equivale a duas vezes o Produto Interno Bruto do principado de Mônaco — onde a bebida também é apreciada pela mais alta elite do planeta.
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A projeção do valor da safra de café do Brasil é do Ministério da Agricultura. Os dados foram divulgados no fim de novembro. Convertendo, são cerca de US$ 21 bilhões. O PIB de Mônaco, segundo o Banco Mundial, é de US$ 10 bilhões.
Localizado na Europa, o balneário está entre os destinos preferidos da nata da sociedade mundial. Embora seja um país pequeno, a riqueza se faz presente em cada metro quadrado. Nas ruas, há um verdadeiro desfile das marcas mais sofisticadas de carros. Ferrari, Lamborghini, Bentley ou Rolls-Royce — basta virar para o lado e não demora para ver ao menos um exemplar de cada uma delas, talvez até um parado ao lado do outro.
Enquanto isso, no campo, a realidade é outra. Em vez de carros esportivos, há tratores, caminhões, caminhonetes e muita terra. Nada de luxo ou glamour. Mas a riqueza que brota nos cafezais, sobretudo, é imensa — e vai além do dinheiro.
Café do Brasil
Atualmente, os cafezais brasileiros cobrem 22,5 mil km². Caberiam milhares de Mônacos nesse território. Apesar da vasta riqueza, o principado tem apenas 2 km². O dinheiro lá vem do luxo, enquanto, no caso do grão, vem de agradar tanto os paladares mais sofisticados (e dispostos a pagar grandes valores) quanto os menos favorecidos. Daí a área tão maior para o plantio de café — ainda assim, em comparação ao tamanho do Brasil, não é tanto.
O país tem 8 milhões de km². A área ocupada pelo plantio dessa cultura corresponde ao tamanho de Sergipe — o menor de seus Estados. E, nesse espaço, os agricultores brasileiros cultivam 8 bilhões de pés. Ou seja, há tantas árvores produzindo café no Brasil quanto seres humanos em todo o mundo.
Não por acaso, os agricultores brasileiros são os maiores produtores desse grão no planeta. Eles respondem por 36% de toda a safra mundial. Curiosamente, essa planta não é nativa do país. A chegada dela ao território nacional é tão saborosa quanto a bebida na xícara.
Amor, traição e um cafezinho
A primeira muda chegou ao país em 1727. Na época, essas terras ainda pertenciam a Portugal, mas já faziam fronteira com a França no que hoje é a Guiana Francesa. Do outro lado, já havia o plantio.
Portugal e França travavam uma disputa fronteiriça exatamente naquela região. O português Francisco de Melo Palheta foi enviado por Lisboa para defender os interesses da coroa. Entre uma negociação e outra, conta-se, ele teria conseguido sementes da planta depois de conquistar o coração de Madame D’Orvilliers, mulher do governador da Guiana Francesa.
Os franceses não queriam entregar sementes para os brasileiros por verem o produto como estratégico para a economia de sua colônia. Apaixonada, a mulher do governador as teria entregado ao amante português, em um ramo de flores na despedida, permitindo assim que o café chegasse ao Brasil.



































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