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Agronegócio

Brasil promete preservar exportações de carne para a UE

Ministro da Agricultura diz que Brasil cumprirá exigências sanitárias europeias; decisão do bloco pode afetar vendas de até US$ 2 bilhões

O Escritório de Comércio dos EUA disponibilizou um período para consultas públicas sobre as medidas, permitindo envio de comentários até 6 de julho de 2026 | Foto: Reprodução/Freepik
Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne ao bloco | Foto: Reprodução/Freepik

O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou nesta quarta-feira, 13, que o governo federal e o setor privado vão adotar “todas as medidas” necessárias para atender às exigências sanitárias da União Europeia (UE), que retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne ao bloco por suposto descumprimento de regras sobre o uso de antibióticos na produção animal.

“Fomos surpreendidos pela decisão da UE, porque temos convicção de que as exigências serão atendidas e que não teremos interrompido nosso fornecimento de proteína animal para o mercado europeu”, declarou o ministro durante encontro promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo.

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“Vamos tomar todas as medidas que o governo brasileiro e o setor privado precisarem tomar para nos adequarmos a essas exigências”, completou o ministro. Segundo ele, o embaixador brasileiro na UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, recebeu sinalização de autoridades europeias de que as restrições serão analisadas por cadeia produtiva.

Top officials from the EU and the South American bloc Mercosur signed a free trade agreement on Saturday in Paraguay, paving the way for the European Union's largest-ever trade accord after 25 years of negotiations. The agreement, designed to lower tariffs and boost trade between the two regions, must now gain the consent of the European Parliament and be ratified by the legislatures of Mercosur members Argentina, Brazil, Paraguay and Uruguay.
Líderes da União Europeia e do Mercosul durante a cerimônia de assinatura do acordo | Foto: Reprodução/X

André de Paula afirmou que as negociações vinham se concentrando no setor bovino, mas que a decisão anunciada nesta terça-feira, 12, acabou alcançando também aves, ovos, pescado e mel.

“Uma coisa que nos surpreendeu ontem, nós vínhamos num processo de negociação relacionada a bovinos, e ontem, além de nos retirarem da lista, foi anunciado que isso atingiria aves, ovos, pescado e mel”, disse. O ministro deixou o evento sem falar com a imprensa.

Alckmin comenta prestação de contas à UE sobre carne brasileira

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também participou do encontro, afirmou que o governo brasileiro deverá apresentar esclarecimentos técnicos à União Europeia em até 15 dias. Ele relacionou a medida ao ambiente de resistência de produtores rurais europeus ao acordo entre Mercosul e União Europeia.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Tinha uma resistência na Europa, especialmente um receio do acordo com a questão do agro. Mas o acordo está bem formatado, foram colocadas as salvaguardas, e acho que essa questão vai se equacionar”, afirmou.

A decisão da UE, anunciada na terça-feira, retira o Brasil da lista de países considerados em conformidade com as normas europeias contra o uso excessivo de antibióticos na pecuária e na avicultura. Com isso, as exportações brasileiras de carne bovina e de frango ao bloco ficarão inviabilizadas a partir de setembro.

A estimativa é de que o impacto econômico possa chegar a US$ 2 bilhões em vendas.

Embargo chinês Brasil
A Europa é um dos principais mercados importadores de carne bovina brasileira | Foto: Reprodução

Em abril, o Ministério da Agricultura publicou duas portarias para adequar as regras brasileiras às novas exigências europeias. As normas proibiram o uso, em animais, de diversos antibióticos utilizados em humanos.

O governo, contudo, autorizou o uso de estoques já existentes até outubro, prazo superior ao limite estabelecido pela União Europeia, fixado para setembro. Em nota divulgada nesta terça-feira, o governo brasileiro informou que adotará medidas para reverter a decisão e restabelecer o fluxo de exportações ao mercado europeu.

O presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, Pedro Lupion (Republicanos-PR), classificou a decisão europeia como política e sugeriu que o Brasil poderá recorrer à Lei de Reciprocidade caso haja prejuízos econômicos ao setor.

“Eles tomaram uma decisão política para falar para dentro”, afirmou. “Há uma exigência dos produtores e principalmente dos pecuaristas europeus de tirar nossos produtos de lá, porque nós temos muito mais competitividade.”

O deputado mencionou ainda a visita de uma missão da UE prevista para o segundo semestre, que deverá verificar o cumprimento das exigências sanitárias brasileiras. Segundo ele, o bloqueio tende a ser revertido. “Sem dúvida a gente vai estar apto a reverter essas decisões”, disse. “Eles não conseguem ficar sem os nossos produtos.”

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