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Agronegócio

Brasil pode ter 4ª safra seguida com mais de 300 milhões de toneladas de grãos

O agro do país consegue produzir alimentos onde o restante do mundo achava impossível praticar a agricultura

Colheita de soja | Foto: Carlos Rudinei Mattoso/Shutterstock

A história de uma coxinha tradicional começa em uma plantação no interior do país. Essa ligação vale até mesmo para a carne envolta pela massa. A nutrição das aves depende de grãos — sem isso, nada de peito desfiado. No que depender dos agricultores, não faltarão ingredientes para a receita. Nesta quinta-feira, 13, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmou a previsão de safra recorde para 2026.

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Segundo a projeção, a colheita será de quase 355 milhões de toneladas. Trata-se da segunda previsão da Conab para a safra de grãos de 2026. A primeira foi divulgada em outubro passado, com estimativas praticamente iguais. Assim, o relatório de hoje mantém a expectativa da maior produção da história. Caso os números se confirmem, será o segundo ano consecutivo de recorde — e o quarto com resultado acima de 300 milhões de toneladas.

Barreira superada

Antes de 2023, a produção brasileira nunca havia chegado a 300 milhões de toneladas. Foram 324 milhões de toneladas. Até então, o recorde eram os 274 milhões de toneladas de 2022. Na safra da virada de chave, houve aumento da área plantada: 5%. Mas o grande fator foi o salto de produtividade no campo. O rendimento médio por hectare cresceu 11% e bateu 4 toneladas pela primeira vez na história.

No ano seguinte, porém, a produtividade caiu. Resultado: houve quebra de produção, e a barreira dos 300 milhões de toneladas quase retrocedeu. A redução foi de 23 milhões de toneladas, o equivalente a toda a produção de Mato Grosso do Sul no mesmo período — Estado entre os cinco maiores produtores de grãos do Brasil.

Mas, de 2024 em diante, o rendimento médio voltou para mais de 4 toneladas por hectare. Em paralelo, a área plantada cresceu. Além disso, a área dedicada ao plantio contínuo vem crescendo — algo que acontece sem interrupções desde 2016. E tudo isso graças à superação do improvável — ao menos para o restante do mundo.

A safra de grãos que o mundo não previa no Brasil

Os cultivos de soja e milho são os carros-chefes do agro nacional. Juntos, respondem por 90% da safra de grãos do Brasil. A produção acontece principalmente em áreas que no país são chamadas de cerrado. O restante do mundo, porém, tem outro nome: savana — e há um bom motivo para isso.

O clima, o solo e o tipo de vegetação do cerrado se assemelham aos seus pares na savana africana. Em linha horizontal, ambos ocorrem na mesma faixa do globo. É uma área onde a agricultura não prospera com facilidade. O calor favorece as pragas, e a terra ácida precisa de correção para se tornar fértil. Soma-se a isso a incidência de luz maior do que em áreas temperadas — de onde provêm a soja e o milho domesticados.

Com tantas adversidades, os maiores especialistas do mundo chegaram a dar como completamente inviável a produção nesse bioma. “Ninguém achava que esses solos algum dia seriam produtivos”, disse Norman Borlaug, sobre a situação da região. Agrônomo, Borlaug ganhou o Prêmio Nobel da Paz na década de 1970 por ser responsável por uma “revolução verde”, que aumentou a produção agrícola, resultando em mais oferta de alimentos para a humanidade.

A fala aconteceu durante uma entrevista ao The New York Times em 2007. Ao longo da conversa, Borlaug revelou o nome por trás da mudança que surpreendeu a ele e ao restante do mundo: a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“A Embrapa conseguiu juntar todas as peças”, disse Borlaug. Segundo o especialista, com o apoio da empresa, o cerrado brasileiro é o palco da ‘revolução verde’ da humanidade.

Safra de tecnologia

Criada na década de 1970, a Embrapa tem a missão de produzir tecnologia em parceria com o setor privado. É investimento estatal para unir cientistas altamente capacitados a produtores rurais experientes — teoria aliada ao serviço da prática.

Ao longo de décadas, a parceria resultou no desenvolvimento de todos os tipos de ferramentas. A lista vai de aplicativos modernos e georreferenciamento por satélites a biodefensivos, fertilizantes e plantas adaptadas para as condições do Brasil. Como resultado, o país se tornou uma potência alimentar por exportar comida para o mundo inteiro. Hoje, é um dos pilares para erradicar a fome do mundo — caminho indispensável para a paz.

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3 comentários
  1. Denis R.
    Denis R.

    Agora imaginem o tamanho da safra se o governo atual fosse um parceiro e não desestimulasse o Agro!

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