No fim da década de 1970, a safra do Brasil passou a ter algum peso na produção mundial de soja, mas nada comparado à fatia de hoje. Na época, o país respondia por pouco mais de 10% da oferta mundial, enquanto a colheita de 2026 deve abastecer mais de 40% do consumo global do grão.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra de 177 milhões de toneladas de soja em 2026 no Brasil. Caso o número se confirme, será a segunda colheita recorde consecutiva. Atualmente, o país é o maior produtor do grão no planeta — posição conquistada por meio de ciência e tecnologia.
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O cultivo dos grãos ocorre, principalmente, nas áreas de cerrado. É um bioma com solo ácido, onde esse tipo de cultura não prosperaria sem a adequada adaptação das plantas e o manejo do solo feito sob medida. Para vencer esse desafio, no fim da década de 1970, o governo nacional criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A estatal produz ciência e tecnologia. O propósito é desenvolver técnicas de produção em parceria com o setor privado. Passadas algumas décadas, a empreitada transformou o país na grande referência mundial em agricultura tropical.
Safra de soja no Brasil
Para a safra de soja, entre outros desafios, a grande contribuição foi adaptar a planta às condições de incidência solar do Brasil, conforme explica Gustavo Spadotti, chefe da Embrapa Territorial. “A soja é uma planta de dia curto, que floresce quando o período de luz é menor que seu limite crítico”, disse. “Quando as primeiras espécies foram introduzidas no país, elas floresciam precocemente em regiões tropicais, o que resultava em plantas muito baixas e pouco produtivas.”
Segundo o especialista, a adaptação permitiu o cultivo nas áreas mais próximas ao Equador, onde a duração dos dias varia pouco ao longo do ano. Essa condição, originalmente, induz o florescimento precoce das plantas não adaptadas. Por sua localização, essas regiões mantêm dias quase constantes durante o ano todo. Isso ocorre, por exemplo, em Mato Grosso. O Estado é responsável pela maior safra de soja do Brasil: serão quase 50 milhões de toneladas em 2026, o equivalente a 30% da colheita nacional.
Além disso, de modo geral, a maior parte do território está em áreas tropicais — por consequência, as terras agrícolas também. A região onde está Mato Grosso, o Centro-Oeste, fica na faixa tropical — hoje, essa parte do país responde por metade da colheita nacional do grão. O mesmo ocorre com o Norte e o Nordeste, que juntos respondem por quase 20% de toda a soja produzida no Brasil.
No prato, no bolso e até na pele
Embora a maior parte da população não consuma o grão in natura, a soja tem impacto direto sobre a vida de todos os brasileiros. Na mesa, por exemplo, sua aplicação vai muito além dos molhos, como maionese e shoyu. Trata-se de um insumo amplamente utilizado pela indústria de alimentos na fabricação de conservas, embutidos e confeitos, como a pasta de avelã e cacau da marca Nutella.
A soja também é fundamental para a produção de rações usadas na nutrição animal em criações de quase todos os tipos de espécies — desde carnes mais caras, como a de rã, até as fontes mais comuns de proteína, como ovos, cortes de frango e suínos. Além disso, há aplicações em ramos industriais distantes da alimentação, como na produção de cosméticos, sabonetes e combustíveis. Segundo estimativas da Universidade de São Paulo, o complexo da soja responde por cerca de 6% do Produto Interno Bruto do Brasil.






































Até o fim dessa safra… ano que vem são outros 500…
Não tem mais financiamento…
Parabéns Revista Oeste. Ter o Artur Piva nos brindando com informações sempre atuais sobre o Agro é fundamental para nós, do interior! Ótima matéria!