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Agronegócio

'Bolsa Floresta' anunciada por Lula vale 500 vezes menos que a agricultura

O presidente comemorou o pagamento de US$ 4 na terra onde a agricultura poderia gerar US$ 2 mil

Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Na quinta-feira 6, o presidente Lula anunciou o Fundo Floresta Tropical Para Sempre, que poderá pagar US$ 4 por hectare de área preservada.

Embora tenha celebrado a iniciativa e reconhecido que o valor é “modesto”, Lula não abordou um ponto crucial: o elevado custo de oportunidade para as populações das regiões onde não haverá trabalho na terra.

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No Brasil, a principal atividade agrícola é a soja. Nada gera mais riqueza no campo. Na Região Norte, cuja maior parte é coberta pela Floresta Amazônica, cada hectare de soja gera cerca de 4,7 toneladas do grão, conforme dados do governo federal. Isso significa 77 sacas. Na cotação atual (US$ 26 por saca), são cerca de US$ 2 mil — 500 vezes mais que a ‘bolsa floresta’ criada pelo governo.

O destino do ‘Bolsa Floresta’

No Fundo Floresta Tropical Para Sempre, o pagamento vai para o governo, sendo 20% de uso determinado para os povos indígenas. Com a agricultura, é diferente. De fato, o Estado fica com uma grande fatia em impostos, mas a maior parte fica sob a gestão da iniciativa privada — essa fórmula transformou regiões desérticas em verdadeiros polos de prosperidade. O maior exemplo disso é o Cerrado brasileiro.

Nem dado nem herdado

Há algumas décadas, as áreas de Cerrado no Brasil eram vistas quase como uma chaga no meio do mapa. Entre os produtores rurais, predominava o ditado: “nem dado, nem herdado”. Resultado: as terras não tinham valor algum. Na época, o governo decidiu apoiar o setor privado. Entre outras iniciativas, na década de 1970, criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A missão: desenvolver tecnologia em parceria com os agricultores. Funcionou.

Passadas pouco mais de cinco décadas, o Brasil é hoje a grande referência em agricultura tropical do planeta. Justamente o Cerrado, aquele mesmo sobre o qual era dito “nem dado, nem herdado”, tornou-se o grande palco dessa transformação. As terras da região passaram a valer muito, e os agricultores brasileiros provaram algo inédito no mundo: é possível produzir muito e preservar bastante.

Entre as muitas técnicas desenvolvidas pela parceria entre agricultores e Embrapa, há algumas especiais para produzir em sistemas florestais. Uma delas integra lavoura, pecuária e floresta, e encanta o mundo afora. Basicamente, consiste em alternar as áreas de plantio, preservação e pasto. Em determinado período, você usa uma parte da terra para um. Depois, ocupa-a com outro, e assim segue em um ciclo rotacionado. Desse modo, a floresta permanece em pé, a soja cresce, o gado engorda e o principal: o povo não fica pobre.

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