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Agronegócio

BNDES anuncia crédito de R$ 12 bilhões para dívidas rurais

Agricultores dizem que dinheiro é pouco, que não chega aos produtores e que bancos descumprem a lei

Agricultor durante colheita de batata doce | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Agricultor durante colheita de batata doce | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, nesta quinta-feira, 16, a abertura de protocolo para receber pedidos de crédito do Programa BNDES para Liquidação de Dívidas Rurais. O orçamento é de R$ 12 bilhões. 

O programa visa a auxiliar a recuperação de produtores agropecuários que sofreram perdas significativas de safra devido a eventos climáticos adversos de 2020 a 2024. As operações poderão ocorrer por meio da rede de instituições financeiras parceiras do banco de fomento, com financiamento de até nove anos, incluindo um de carência.

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BNDES: público-alvo e objetivos

Conforme a instituição, o programa destina-se a produtores rurais, associações, condomínios rurais e cooperativas agrícolas. Abrange municípios que, no decorrer dos últimos quatro anos, tiveram declaração de estado de calamidade pública. A iniciativa atende do mesmo modo locais com situação de emergência reconhecida pelo governo federal em decorrência de eventos climáticos adversos.

Segundo Maria Fernanda Coelho, diretora de crédito digital e gestão do Fundo Rio Doce do BNDES, o banco oferece aos produtores rurais “alívio econômico”. Acrescenta que a medida garante a continuidade da atividade produtiva no campo, “especialmente para agricultores familiares e médios produtores”.

Leia também: “Desespero e mortes no agro”, reportagem de Fábio Bouéri publicada na Edição 291 da Revista Oeste

Apesar do anúncio do programa, há críticas. Produtores rurais do Rio Grande do Sul, uma das regiões mais afetadas pela crise, dizem que os recursos são insuficientes. Reclamam que a burocracia impede que o crédito chegue efetivamente aos agricultores. Enquanto isso, os agricultores e pecuaristas enfrentam dificuldades para acessar os recursos devido à falta de clareza operacional e exigências técnicas não totalmente definidas, além da burocracia para comprovação de perdas.

Entidades rurais, como a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, cobram a publicação urgente das normas do Conselho Monetário Nacional que permitiriam a prorrogação de dívidas e a liberação de recursos. Em nota, afirmam que a burocracia “trava o acesso ao crédito e aumenta a ansiedade no campo”, e que muitos produtores permanecem sem alternativa diante de débitos acumulados.

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