A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciou o nascimento dos primeiros bezerros geneticamente editados da América Latina. Os animais, da raça Angus, nasceram entre o fim de março e o começo de abril. O objetivo é torná-los mais adaptados ao clima tropical e reduzir os efeitos do estresse térmico.
O projeto é fruto de uma parceria entre a Embrapa, a Associação Brasileira de Angus e outras instituições de pesquisa e fomento. A edição genética foi aplicada diretamente em embriões, com a introdução de mutações que favorecem o surgimento de pelos mais curtos e lisos. “Essa característica facilita a dissipação do calor corporal e melhora o bem-estar animal”, explica o pesquisador Luiz Sérgio de Almeida Camargo, da Embrapa.
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Testes de sequenciamento mostram que ao menos dois dos cinco bezerros nasceram com a característica desejada. A técnica usada, chamada eletroporação de zigotos, aplica pulsos elétricos de curta duração para permitir a entrada do material genético no embrião. “É um método menos invasivo e mais prático do que os tradicionais”, afirma Camargo.
Segundo ele, o gene editado está ligado ao receptor de prolactina, responsável pelo controle da temperatura nos bovinos. “A mutação induz o desenvolvimento de pelos curtos e finos, comuns em raças adaptadas ao calor, mas ausente em raças de alto desempenho como a Angus e a Holandesa”, explica.
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A expectativa dos pesquisadores é que esses animais sofram menos com o calor e apresentem maior conforto térmico e produtividade em regiões quentes. “Com a edição gênica, conseguimos fixar a característica já na primeira geração, sem depender de cruzamentos demorados”, diz Camargo.
A pesquisa agora entra em nova fase, com o acompanhamento do desenvolvimento dos bezerros e a avaliação da transmissão das características às próximas gerações. Os cientistas também vão monitorar se houve edições não planejadas no genoma e como os animais reagem ao calor ao longo do tempo.

O projeto envolve centros da Embrapa em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, além do CNPq, Fapemig, Sebrae e Casa Branca Agropastoril. A meta é criar uma primeira geração editada e, a partir dela, disseminar a característica nos rebanhos de forma natural.
“Trata-se de um marco para a pecuária brasileira”, afirma o diretor-executivo da Associação Brasileira de Angus, Mateus Pivato. Segundo ele, a adaptação da raça Angus ao clima tropical alia inovação genética e sustentabilidade. “Estamos investindo em animais de alta qualidade que suportem melhor os desafios climáticos do país.”
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