O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que a extinção da escala 6×1 deve elevar os custos de produção no campo e provocar o aumento no preço dos alimentos. A bancada pressiona a Câmara dos Deputados por uma transição mais longa e por regras específicas para as atividades consideradas essenciais no agronegócio.
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A comissão especial da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Fim da Escala 6×1 deve votar o parecer do relator, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), na manhã desta quarta-feira, 27. A análise foi adiada depois de um pedido de vista do deputado Maurício Marcon (PL-RS) na sessão de segunda-feira 25.
Lupion afirmou que representantes da indústria e da agroindústria têm procurado a FPA para relatar o forte impacto financeiro caso a PEC avance sem salvaguardas para o setor produtivo. Conforme o parlamentar, a elevação dos custos trabalhistas será repassada diretamente ao consumidor final.
Repasse de despesas e inflação na escala 6×1
A principal preocupação dos produtores envolve o impacto financeiro na cadeia de proteínas animais e no abastecimento. Lupion ressaltou que a conta das novas exigências trabalhistas vai encarecer os produtos nas gôndolas dos supermercados.
“Nós gostaríamos de tentar mitigar os impactos para o setor produtivo. Primeiro, para não ter desemprego”, afirmou Lupion. “Segundo, para não diminuir a demanda. E, principalmente, para não aumentar a inflação.”
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De acordo com Lupion, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), votará o fim da escala 6×1 de qualquer forma. “Na Câmara o presidente Hugo quer votar hoje, quer votar amanhã, quer votar depois de amanhã, de qualquer jeito”, declarou.
Impacto operacional em usinas e frigoríficos
O setor produtivo aponta dificuldades práticas e financeiras para absorver a nova jornada de trabalho. Representantes do segmento de cana-de-açúcar calculam que cada usina precisará contratar ao menos 400 novos funcionários para manter o ritmo atual de operação, o que vai inflar as folhas de pagamento.
No setor de carnes, os frigoríficos apontam a inviabilidade de abrir um terceiro turno de trabalho. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes e da Associação Brasileira de Proteína Animal revelam que o setor já opera com um déficit de 40 mil vagas abertas e não preenchidas nas linhas de produção de bovinos, aves e suínos.
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A FPA defende um cronograma de adaptação gradual e tratamento diferenciado para os serviços essenciais. Deputados ligados ao agronegócio apresentaram emendas na comissão especial da Câmara, mas o relator rejeitou parte das sugestões enviadas pela bancada ruralista.



































Meio estranho tratar a agricultura como uma fabrica de produtos industriais – só espero que quando a coisa explodir nao procurem no agro a causa
Um trabalhador ganha salário de R$4000,00 por mês, com 220 horas, o que significa R$18,18 por hora. Passando para uma jornada de 200 horas, a hora passa para 20,00. Ou seja, um aumento no custo em 10,01%. Dependendo da concorrência ou do estágio atual do mercado os valores poderão ser repassados ao consumidor, ou a empresa terá folga suficiente para arcar com um prejuízo estrutural ou de curto prazo.
A cadeia produtiva em determinados setores, principalmente o industrial e o agrícola é dinâmica e com efeito multiplicador em escala progressiva. A empresa A repassa adiante o custo para a empresa B. Como o produto é complementar e faz parte do sistema de um bem de consumo esta empresa B terá um aumento do custo e que poderá repassar para a cliente seguinte. A empresa C fará a mesma coisa, pois o custo já estará na equação A+B+C. Se as etapas de produção de um bem qualquer forem, por exemplo, de 7 estágios a equação será A+B+C+D+E+F+G. O acumulado no preço final terá sido alcançado em mais do que os 10,01% inicial. Plantas industriais de máquinas com alta tecnologia são diferentes de uma empresa que produz azeite. Um drone é equipado com vários componentes que poderão ser comprados por diversas empresas fornecedoras. Isto tem que ser pensado.
Além disto, as negociações coletivas (dissídios) terão um impacto muito grande, pois o reajuste nos salários, imposto por novas regras terá uma discussão mais desfavorável aos trabalhadores. Como foi dito anteriormente, o mercado de trabalho é muito dinâmico e alguns setores poderão se adaptar com a nova lei, mas outros terão que procurar soluções drásticas, como fechar as portas, diminuir os empregos, robotizar a produção ou sair do país. Estou certo?
No fim, quem vai pagar é o povo! E os políticos, em ano eleitoral vão se passar por bonzinhos.