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Curiosidades

Por que mulheres têm mais doenças autoimunes? Cromossomo X pode ser a resposta

Pesquisadores testam hipótese em camundongos

Pesquisa sugere que as moléculas que atuam no cromossomo X extra das mulheres podem confundir o sistema imunológico | Foto: Freepik

As mulheres têm mais chances de desenvolver doenças autoimunes — como lúpus e esclerose múltipla — do que os homens. Um estudo publicado na revista científica Cell na semana passada ofereceu uma explicação com base no cromossomo X.

A pesquisa sugere que as moléculas que atuam no cromossomo X extra das mulheres podem confundir o sistema imunológico. Pesquisadores independentes apontam que as moléculas podem não ser a única razão, mas se os resultados se confirmarem, novos tratamentos serão possíveis nessas moléculas.

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Os medicamentos atuais costumam enfraquecer todo o sistema imunológico. “Talvez essa seja uma estratégia melhor”, disse Howard Chang, líder do novo estudo, geneticista e dermatologista da Universidade de Stanford.

Cromossomo X: pesquisadores fazem camundongos machos desenvolverem molécula Xist, e casos de doença autoimune se tornam mais graves

Os embriões masculinos e femininos carregam 22 pares idênticos de cromossomos, mas o 23º par é diferente: as mulheres têm dois Xs, e os homens têm um X e um Y, responsáveis por desenvolver os órgãos sexuais masculinos.

Mas as mulheres não produzem o dobro de proteínas X em comparação com os homens. Elas produzem aproximadamente o mesmo nível, porque um dos dois cromossomos X é silenciado.

Um dos cromossomos X precisa ser silenciado para o bem da saúde feminina. Porém, se um gene no segundo cromossomo X escapa do controle da molécula Xist, o resultado é um excesso de proteínas, algumas inclusive podem ser tóxicas.

“Uma vez que os camundongos machos expressam o Xist, eles desenvolvem níveis muito piores de doença imunológica”, disse Chang | Foto: Freepik

Pesquisando o cromossomo X, Chang percebeu que o próprio silenciamento poderia ter um lado negativo, e que muitas das proteínas relacionadas às doenças autoimunes também ajudavam o Xist a desativar o cromossomo X.

Considerando a suspeita de que a molécula Xist poderia causar doenças autoimunes, a nova pesquisa estudou uma linhagem de camundongos em que as fêmeas têm alto risco de acabar desenvolvendo a doença autoimune lúpus, enquanto os machos nunca tiveram casos graves.

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Liderados por Chang, os pesquisadores modificaram geneticamente os camundongos machos para que eles produzissem Xist. “Uma vez que os camundongos machos expressam o Xist, eles desenvolvem níveis muito piores de doença imunológica”, disse Chang ao jornal norte-americano The New York Times.

Além disso, a pesquisa descobriu que pessoas com lúpus ou outras duas doenças autoimunes tinham níveis elevados de anticorpos para proteínas relacionadas à Xist no sangue. Para Chang, as doenças autoimunes podem surgir durante o processo normal de morte celular no corpo de uma mulher.

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