O avanço de casos de intoxicação por metanol associado a bebidas falsificadas motivou pesquisadores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) a desenvolverem uma inovação: um nariz eletrônico capaz de detectar adulterações em bebidas alcoólicas a partir de uma única gota. O equipamento identifica odores fora do padrão esperado e converte essas informações em dados.
“O nariz eletrônico transforma aromas em dados”, explicou o professor Leandro Almeida, do Centro de Informática da UFPE, à Agência Brasil. “Esses dados alimentam a inteligência artificial que aprende a reconhecer a assinatura do cheiro de cada amostra.”
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias de Saúde em Oeste
O processo de calibração envolve a apresentação de bebidas originais para que o aparelho aprenda seu cheiro característico, seguido de amostras adulteradas. O dispositivo realiza a análise em até 60 segundos e aponta não apenas a existência de metanol, como também outras fraudes, como diluição em água. Segundo os pesquisadores, a precisão do teste chega a 98%.
O equipamento foi apresentado ao público durante o Rec’n’Play 2025, evento de inovação realizado no Porto Digital, em Recife, entre a quarta-feira 15 e o último sábado, 18.
Originalmente, a tecnologia foi criada com o objetivo de monitorar o odorizante do gás natural no setor de petróleo e gás. “Na verdade, essa pesquisa começou há dez anos, para avaliar o odorizante do gás natural”, relatou Leandro Almeida. Posteriormente, a aplicação foi ampliada para alimentos e ambientes hospitalares, onde pode identificar microrganismos pelo cheiro.
Além do metanol, equipamento faz outras análises
Entre as possíveis aplicações, estão a análise da qualidade de café, carnes e pescados, além do controle do óleo de soja usado na produção de margarina. O grupo também avalia formas de levar a tecnologia a bares, restaurantes e adegas, como totens acessíveis ao público ou versões portáteis para uso pelas próprias fabricantes.

O professor acrescentou que há planos para lançar um produto voltado ao consumidor final. “Nós já temos o desenho de uma canetinha para o cliente final. Para que ele mesmo consulte a sua bebida ou alimento”, afirmou Leandro Almeida.
Até o momento, o nariz eletrônico para bebidas foi testado apenas em laboratório. Para viabilizar o uso comercial e ampliar o acesso à tecnologia, estima-se a necessidade de um investimento de cerca de R$ 10 milhões.
Brasil confirma mais 6 casos de intoxicação por metanol
Brasil ultrapassa 40 casos confirmados de intoxicação por metanol
Bebidas adulteradas com metanol saíam da mesma fábrica no ABC
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.