publicidade
Saúde

Governo Lula gastou R$ 457 milhões com tratamento que deveria estar no SUS há um ano e meio

Decreto do governo Bolsonaro estabelecia o protocolo de incorporação do Zolgensma na rede pública de saúde

Governo Lula gastou R$ 457 milhões com tratamento que deveria estar disponível no SUS há um ano e meio
O Zolgensma é uma terapia gênica administrada em dose única, via intravenosa, com a quantidade ajustada ao peso do paciente | Foto: Reprodução/Pixabay

O governo Lula já gastou R$ 457 milhões para fornecer a terapia Zolgensma por meio de decisões judiciais. O Zolgensma (onasemnogeno abeparvoveque) é uma das terapias gênicas mais caras do mundo e trata a atrofia muscular espinhal (AME) tipo 1. 

Trata-se do único tratamento do tipo que age diretamente no DNA, capaz de repará-lo e criar uma cópia funcional. Ou seja, o gene é introduzido no corpo através de uma cápsula viral modificada em laboratório.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Saúde em Oeste

Em 2023, o governo federal desembolsou R$ 305 milhões para atender 64 ações judiciais, em 12 Estados e no Distrito Federal. Já neste ano, o gasto foi de R$ 152 milhões, com 41 processos em nove Estados e na capital federal.

A terapia deveria estar disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) há um ano e meio. No entanto, a atual gestão não seguiu a portaria publicada no fim do governo Bolsonaro. Como resultado, as famílias dos pacientes precisam recorrer à Justiça para garantir o acesso ao Zolgensma.

Zolgensma deveria estar no SUS desde junho de 2023

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do Zolgensma no Brasil em 2020. Em 2022, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou sua inclusão na rede pública.

O Ministério da Saúde acatou a sugestão em dezembro do mesmo ano, ao estabelecer que bebês com AME tipo 1, com até 6 meses e sem ventilação invasiva por mais de 16 horas diárias, teriam acesso ao tratamento.

Leia também:

A pasta tinha 180 dias para publicar o Protocolo de Tratamento e Diretrizes Terapêuticas, que orientaria o cuidado aos pacientes e garantiria a disponibilidade do Zolgensma no SUS. Mas o prazo não foi cumprido. 

A terapia deveria estar acessível desde 4 de junho de 2023, mas até hoje ainda não está disponível. A espera das famílias pelo Zolgensma no SUS, portanto, já dura cerca de um ano e seis meses até esta terça-feira, 3.

O parecer inicial para incluir o tratamento no SUS era desfavorável para a instituição. Todavia, aconteceu uma consulta pública, e a Novartis fez uma proposta de fazer um acordo de compartilhamento de risco (ACR), o que gerou a decisão do governo Bolsonaro de incluir o Zolgensma na rede pública de saúde.

O ACR estabelece que o governo e a farmacêutica dividiriam a responsabilidade pela terapia. Nesse acordo, o pagamento será feito em cinco parcelas anuais de 20% do valor total, a depender da evolução do paciente. Em caso de morte ou piora do quadro clínico, a União não precisará arcar com os custos. 

Os detalhes do acordo ainda estão em debate, segundo o Metrópoles.

Os termos do acordo com o SUS também valem para os planos de saúde. O Zolgensma entrou no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar em fevereiro de 2023. Os planos tiveram um prazo menor para incorporar o tratamento, de até 60 dias a partir da recomendação da Conitec.

Eficácia terapêutica do Zolgensma

A AME é uma doença genética rara, degenerativa, progressiva e hereditária que afeta as células nervosas da medula espinhal e do cérebro. Ela se divide em três tipos:

  • I: mais grave, afeta bebês;
  • II: aparece em crianças até 10 anos; e
  • III: surge na adolescência ou na vida adulta. 
Governo Lula descumpriu decreto que deveria disponibilizar Zolgensma no SUS há um ano e meio
Em 2023, o governo federal desembolsou R$ 305 milhões para custear o Zolgensma via decisões judiciais | Foto: Divulgação/Hospital Pequeno Príncipe

Estima-se que a AME afete uma em cada 10 mil pessoas. A doença gera falta ou anormalidade em um gene essencial para a produção de uma proteína necessária. Sem essa proteína, ocorre a morte dos neurônios motores, que controlam os músculos. Assim, a doença leva a fraqueza e perda de movimento progressiva.

Em contrapartida, o Zolgensma fornece uma cópia funcional do gene, o que permite ao corpo produzir a proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores. A entrega do gene acontece por meio de um vírus modificado que não causa doenças nos seres humanos, conforme informa a bula da Novartis.

Desenvolvido por engenharia genética pela Novartis, o Zolgensma é um tratamento pioneiro. A terapia gênica é administrada em dose única, via intravenosa, com a quantidade ajustada ao peso do paciente. 

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.