publicidade
Curiosidades

Anvisa suspende medicamento de quase R$ 20 milhões para doença rara

Elevidys é usado para tratar a distrofia muscular de Duchenne

elevidys anvisa
O medicamento Elevidys é usado para tratar a Distrofia Muscular de Duchenne | Foto: Divulgação/Sarepta Therapeutics

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta quinta-feira, 24, a suspensão temporária da comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso do medicamento de terapia gênica Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque) em todo o território nacional.

A medida, de caráter preventivo, foi tomada depois da divulgação de novos dados regulatórios nos Estados Unidos que associam o uso da substância a casos fatais de insuficiência hepática aguda. A suspensão permanecerá em vigor até que sejam integralmente esclarecidas as incertezas de segurança relacionadas ao medicamento.

Receba nossas atualizações

A agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) notificou três mortes vinculadas a produtos que utilizam a mesma plataforma vetorial AAVrh74 desenvolvida pela empresa Sarepta Therapeutics. Dois dos casos ocorreram em crianças com distrofia muscular de Duchenne (DMD), e o terceiro, em um adulto com distrofia muscular de cinturas.

+ Leia mais notícias de Saúde em Oeste

O Elevidys é uma terapia gênica que utiliza um vetor viral para inserir uma cópia funcional do gene defeituoso associado à DMD. De acordo com a bula norte-americana, o medicamento é administrado em dose única por via intravenosa e pode desencadear efeitos colaterais sérios, como elevação de enzimas hepáticas.

No Brasil, o Elevidys foi registrado em caráter excepcional em dezembro de 2024, com autorização restrita a pacientes pediátricos deambuladores — ou seja, capazes de andar — entre quatro e sete anos de idade, com mutação confirmada no gene DMD.

O registro foi concedido à empresa Roche Farma Brasil, sob a condição de monitoramento intensivo de segurança e comprovação de eficácia a longo prazo. A aprovação também previa ações imediatas em caso de surgimento de dados novos que afetassem o equilíbrio entre risco e benefício.

Leia mais:

Anvisa destaca que não houve mortes no Brasil

De acordo com a Anvisa, nenhuma das mortes relatados ocorreu no Brasil e todos os casos divulgados até o momento referem-se a perfis clínicos diferentes dos autorizados no país. Ainda assim, depois de articulação com a agência reguladora brasileira, a empresa Roche comunicou a suspensão voluntária e temporária da distribuição do Elevidys para novos pacientes no Brasil.

No Brasil, cerca de dez pacientes foram tratados com o Elevidys. Até esta quinta-feira, 24, a Anvisa recebeu três notificações de eventos adversos. Dois deles foram classificados como prováveis e compatíveis com os efeitos já descritos em bula: aumento das enzimas musculares e sintomas gastrointestinais.

Também foram observados elevações de enzimas hepáticas e quadro de hepatite, efeitos conhecidos associados ao uso de vetores virais AAV, que têm afinidade por tecidos hepáticos. O terceiro caso registrado no país teve nexo causal considerado improvável com o uso do Elevidys.

Segundo análise clínica, o quadro era compatível com infecção viral grave por Influenza A, agravada por imunossupressão, e resultou em morte. A bula brasileira do medicamento já recomenda adiar sua administração em caso de infecção ativa e orienta a vacinação como forma de prevenção.

Assessor Anvisa
Fachada do edifício-sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Diante deste cenário, a Anvisa considerou a suspensão necessária para “garantir a segurança dos pacientes brasileiros, que deve sempre prevalecer sobre qualquer outra consideração” e permitir uma “avaliação aprofundada dos sinais de risco hepático emergentes nos EUA”.

A medida também permitirá a reavaliação de planos de gerenciamento de risco e estratégias clínicas. Essa resolução determina que novas evidências capazes de alterar a relação benefício-risco de um medicamento podem levar à suspensão de sua regularização sanitária.

A Anvisa informou ainda que mantém articulação com a FDA e com a agência reguladora do Japão para reforçar o monitoramento contínuo da segurança, qualidade e eficácia do produto. O Elevidys está registrado nos três países.

A distrofia muscular de Duchenne é uma condição genética rara e progressiva que causa enfraquecimento dos músculos, por causa de mutações no gene DMD. O Elevidys é um dos tratamentos mais caros disponíveis, com custo estimado em aproximadamente R$ 20 milhões por aplicação.

Leia também: “Saúde também é tech, artigo de Dagomir Marquezi publicado na Edição 121 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade