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Donald Trump no Egito, 13 de outubro de 2025 | Foto: Reuters/Suzanne Plunkett/Pool
Edição 292

Pax Trumpiana

O acordo entre Israel e Hamas é apenas uma das mudanças no tabuleiro geopolítico mundial que Donald Trump está promovendo

“Não vou começar guerras, vou pará-las”. Foram essas as palavras utilizadas por Donald Trump na noite do dia 5 de novembro de 2024, poucos minutos após triunfar nas eleições presidenciais contra Kamala Harris.

Menos de um ano depois, cumpriu a promessa.

O conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas, iniciado após o pogrom de 7 de outubro de 2023, encontrou uma resolução. Mesmo que temporária. Os 20 reféns israelenses ainda vivos foram libertados. Os corpos dos outros 28 que faleceram estão sendo devolvidos pelos algozes. O pesadelo das famílias e de uma nação inteira acabou.

Por outro lado, o Exército de Israel parou de bombardear Gaza para tentar erradicar o Hamas. E centenas de milhares de palestinos, utilizados como escudos humanos pelos terroristas, estão tentando retomar suas vidas sem o pavor da guerra.

Em questão de horas, Trump conseguiu juntar trinta líderes mundiais em uma cúpula na cidade egípcia de Sharm El Sheikh. Todos se comprometeram a ajudar na reconstrução de Gaza e a garantir que não ocorressem mais conflitos na região. Os países árabes colocando dinheiro para a reconstrução da Faixa. A ONU, os europeus e os turcos enviando tropas para garantir a segurança. O Brasil não foi convidado.

O acordo de cessar-fogo foi um momento histórico, que reafirmou a liderança global dos Estados Unidos e amplificou o prestígio de seu presidente. Um sucesso diplomático gigantesco. Que até os adversários de Trump reconheceram.

A revista britânica de esquerda The Economist, tradicionalmente duríssima com Trump, não poupou elogios.

“Nove meses após seu segundo mandato, ele fez um trabalho louvável ao lidar com a situação”, escreveu a publicação. “A trégua que ele negociou em Gaza não é exatamente a ‘paz eterna’ que aparenta ser. Mas é uma conquista real, que escapou ao seu antecessor, a ser adicionada aos Acordos de Abraão, nos quais quatro estados árabes normalizaram os laços com Israel durante seu primeiro mandato. É uma das três grandes decisões em que o Sr. Trump rompeu com o consenso americano habitual e alcançou o que parece, pelo menos no curto prazo, um sucesso.”

Em março, a Economist tinha publicado outra matéria, com o título “A era da geopolítica mafiosa de Donald Trump”. Hoje, elogia sua estratégia negocial “imprevisível”. Mudança dos tempos.

A revista Time, outra sempre implacável com o presidente americano, foi ainda mais longe e lhe dedicou uma capa inteira, com a foto de Trump e apenas duas palavras: “Seu triunfo”.

O jornal israelense Jerusalem Post foi às bancas com a capa “Deus abençoe o pacificador”, e a foto do mandatário. 

Até mesmo Joe Biden reconheceu o sucesso. “Elogio o presidente Trump e sua equipe por seu trabalho para levar um novo acordo de cessar-fogo até a linha de chegada”, escreveu o ex-inquilino da Casa Branca.

Somente no Brasil, o ódio político continua falando mais alto. A velha mídia insiste em se recusar a aceitar que o fim das hostilidades foi uma vitória de Trump. Ainda insistem que a Flotilha da Greta Thunberg ou as marchas de LGBTs com camiseta do Hamas foram determinantes. Cegueira por excesso de bile. O governo Lula, logorreico na produção de notas, se trincheirou atrás de um consternado silêncio. E birutas de aeroporto na ativa, como o novo chefe da comunicação digital do PT, Pedro Rousseff, sobrinho da ex-presidente Dilma, postam nas redes sociais que, na verdade, quem costurou o acordo foi Lula. Delírios que confirmam como a genética pode ser uma condenação.

Admirável mundo novo

Diferentemente dos seus antecessores do Partido Democrata, Trump tem uma visão muito menos idealista e muito mais pragmática da política internacional. Traduzindo: vale a pena enviar tropas apenas se a segurança nacional dos Estados Unidos for ameaçada. Caso contrário, as potências locais que se resolvam.

Na “Doutrina Trump”, intervenções militares ideológicas, como a da Líbia (2011), decidida por Barack Obama, ou do Kosovo (1998), determinada por Bill Clinton, não devem se repetir. Nem mesmo uma invasão como a do Iraque (2003), decretada pelo neocon George W. Bush — ala idealista do Partido Republicano — para “exportar a democracia”. Todas elas fracassos retumbantes em termos estratégicos. Desperdícios inúteis de vidas americanas, de recursos americanos e de capital diplomático americano. Sem retorno algum para os EUA.

Trump optou pelo freio de arrumação. “América primeiro” foi o lema da campanha de 2016. “Fazer a América grande de novo” foi o da segunda. Concentrar-se no cenário interno, sanear o orçamento, voltar a crescer, retomar a liderança econômica, sem distrações inúteis. Fora das fronteiras americanas, o objetivo é um só: a paz.

O que não significa entreguismo. Ao contrário. Quando for possível, negociando. Se necessário, usando a força.

Em menos de um ano de mandato, Trump já conseguiu levar para a Casa Branca o presidente da Armênia e o ditador do Azerbaijão para assinar um acordo de paz, após mais de três décadas de hostilidades. Mediou o fim da guerra-relâmpago entre Índia e Paquistão que poderia escalar para nuclear. Pressionou um cessar-fogo entre Tailândia e Camboja após um conflito que matou pelo menos 45 pessoas. Resultados obtidos na base da persuasão.

Mas, no caso do conflito entre Israel e Irã, Trump não hesitou. Ordenou um bombardeio maciço das plantas nucleares dos aiatolás. Forçou Teerã a parar de atacar Israel. No caso dos rebeldes iemenitas Houthis, a Força Aérea e a Marinha dos EUA acabaram com suas instalações bélicas. Mesma coisa no caso do Hamas. Caso não tivesse aceitado o acordo, o presidente americano ameaçou desencadear “o inferno na Terra”. Os terroristas capitularam.

Uma estratégia muito parecida com a do presidente Theodore Roosevelt, que há cem anos baseou as relações externas dos EUA no lema “fale com suavidade, mas tenha na mão um grande porrete”.

Trump está seguindo essa linha diplomática. Paz através da força. Exatamente o oposto de seu predecessor. A fraqueza de Biden, evidente na catastrófica retirada do Afeganistão em 2021, incentivou os russos a invadirem a Ucrânia em 2022, o Hamas a atacar Israel em 2023, e quase levou a Venezuela a arrancar um pedaço da Guiana em 2024.

Durante seu primeiro mandato, o republicano não teve nenhum receio em bombardear a Síria para demonstrar ao então ditador Bashar al-Assad que não estava de brincadeira quando dizia que não poderia usar armas químicas. Ao mesmo tempo, mediou os Acordos de Abraão, que normalizaram as relações entre Israel e vários países árabes. Outro feito histórico, que estava prestes a se completar com o ingresso da Arábia Saudita, o país guardião dos lugares sagrados para o Islã. Algo que poderia ter estabilizado o Oriente Médio para sempre. Desfecho interrompido pelo ataque do Hamas, incentivado pelo Irã, arqui-inimigo dos sauditas.

Trump demonstrou força ao bombardear a Síria e consolidou avanços diplomáticos históricos com os Acordos de Abraão | Foto: Shutterstock


Agora, com os acordos de Sharm El Sheikh, os sauditas se comprometeram a financiar a reconstrução de Gaza. Trump conseguiu levar de volta Riad na Terra Santa. Terão que cooperar com os israelenses. Vão se entender.

Estilo durão, entregas sólidas

Ao pensar em pacificadores, o nome de Trump pode não vir à mente imediatamente. Conhecido como um negociador agressivo, sem freios para enfrentar qualquer questão, há poucas semanas ninguém apostaria que ele poderia mudar o rumo de um Oriente Médio mergulhado no caos. 

Quando Trump enviou na região seu genro, Jared Kushner, empresário judeu que gere um fundo de investimento bilionário com capital árabe, e Steve Witkoff, amigo de longa data, empresário da construção civil de Nova York. A velha mídia os denegriu como “incompetentes”. Eles conseguiram onde outros falharam.

Trump não apenas demonstrou disposição para descartar as estratégias do passado, mas também usou sua considerável influência como líder da superpotência mundial para pressionar um aliado e amigo como Israel a aceitar a paz.

Próxima parada, Kiev

Agora que o Oriente Médio está mais estável, o próximo objetivo de Trump é acabar com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Já se encontrou várias vezes com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Recebeu Vladimir Putin no Alasca. Mas não hesitou em fornecer mísseis de longo alcance para a Ucrânia, nem em pressionar Kiev a fazer concessões aos russos.

Os líderes das grandes potências só entendem uma língua, a da força. E só respeitam seus pares que demonstram vontade e capacidade de usá-la. Nas relações internacionais, fracos não negociam, apenas sucumbem. Trump sabe bem disso. E está deixando bem claro para o mundo que “America is Back”. A América voltou. Para botar ordem.

Trump busca encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia mostrando força e reafirmando ao mundo que “a América voltou” | Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

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8 comentários
  1. James Cesar M A Souto
    James Cesar M A Souto

    Eu me lembro muito bem de que, já em sua primeira gestão, Donald Trump fez com que nossa preocupação com o terrorismo caísse absurdamente.
    Hoje, ele continua guardião ainda mais forte do legado judaico-cristão ocidental, graças a Deus!

  2. Fernao Borba Franco
    Fernao Borba Franco

    O plano depende da adesão do Hamas? Em termos. Se respeitarem o acordo, cessar fogo e desarmamento, o plano funciona. Se não aceitarem, podem ser forçados a isso, com concordância dos demais participantes. E o plano funciona, mas com um estágio a mais: a incapacitação do Hamas. Pode dar certo.

  3. Marcos Marcioni
    Marcos Marcioni

    Precisa avisar aquele menino que o Luiz só sabe acabar com o litro todo.

  4. Luiz Fraga
    Luiz Fraga

    “Si vis pacem, para bellum!”. Se queres a paz, prepara-te para a guerra! (Vegécio, IV d.C.)

  5. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Bela reportagem do Cauti, a Geiseane sabe disso. Essa imprensa brasileira é que é ridícula e cega não enxerga o que o mundo todo enxerga, a superiodade do presidente Trump. Ao contrário dos outros líderes esquerdistas de todo mundo, onde bota a mão fracassa

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