Meu querido Vovô Old,
Sábio, rápido com as palavras, devotado, resiliente.
Sendo sua neta, não poderia ter nascido de outra forma a não ser amante da escrita e dos livros que nem você. Não sou tão polida ainda, mas a paixão por criar e instigar as pessoas correu nas suas veias a vida toda, e corre nas minhas também.
Temos muitas coisas em comum. Sempre me vi muito em você, por mais que tivéssemos opiniões totalmente contrárias às vezes. Afinal, somos artistas; você com suas palavras e colunas, e eu em cima dos palcos e na frente das câmeras. Vivemos pelos desafios, polemizamos pautas sem pudor e mantemos nosso chão dando a cara a tapa, preparados para a próxima rodada.
Porém, uma coisa é fato: ninguém te conheceu do jeitinho que eu te conheci e entendi. Para muitos, você foi um grande jornalista, co-fundador de uma das maiores revistas do Brasil. Para mim, você foi um avô sorridente, astuto, brincalhão e muito, muito fofo. Quem diria que esse garanhão dos jornais poderia se tornar um ursinho carinhoso? Quem diria que esse Lobo da Escrita Jornalística, na verdade, amava de paixão usar emojis para tudo? Rimar palavras e inventar nomes para bichos? Cantar a música do Elefantinho, ou do Dom Ratão, que caiu na panela de feijão? Eu tive o privilégio de te conhecer em ambas as faces. E sentirei muita falta das duas.
Sempre tive muito orgulho de dizer que sou sua neta. Procurava em cada revista Veja que achava pela sua fotinho na coluna da última página e, toda vez que achava, apontava e dizia: “Olha, gente. É meu avô, o J. R. Guzzo”. Admito que, quando eu tentava de fato ler o que estava escrito naquelas páginas, eu não entendia bulhufas, mas a iniciativa e vontade sempre estiveram lá. Talvez agora, com quase 20 anos, eu consiga entender mais o que significaram todas essas palavras que você escreveu e o legado que elas deixaram.
Muito louco pensar que seu par de mãos já tocou muitas pessoas sem precisar de fato encostar nelas. Conheço uma pessoa que faz Relações Públicas, mas que estudou sobre você em uma matéria da faculdade. Tive diversos professores que, ao lerem meu sobrenome, me perguntavam se tínhamos parentesco ou se era coincidência. Nunca foi coincidência, sempre foi proposital. Cada vez que escutei seu nome, li suas palavras e vi seu rosto estampado. Isso tudo foi atingido por puro mérito seu e do seu esforço, nada pode apagar. E meu peito enche de felicidade e gratidão toda vez que respondo “Sim, ele é o meu avô”.
Prometo zelar pela Carlota, a Marmota e o Senhor Suricato agora que você se partiu, vovô. Também prometo fazer valer cada centavo que você investiu em mim para fazer meu sonho acontecer. Por onde eu vou, todos que me conhecem sabem o seu nome. Impossível não saber. Não existe um “eu” sem você. Biologicamente falando também, mas digo principalmente de alma. De ambição. De fome por conhecimento. De paixão pelas nossas artes. Sou totalmente um espelho seu.

É muito doído ter que estar me despedindo de você dessa forma, estando longe fisicamente. Mas, por mais bizarra que você vá me achar, pois eu te conheço e sei sua aversão ao paranormal, sinto você comigo agora enquanto escrevo esta carta. Mês passado, dia 10 de julho, foi seu aniversário, e eu te escrevi:
“Tenho muito apreço por todas as coisas que você me ensinou e ensina, junto com todas as oportunidades e momentos que você me proporciona diariamente. Levo você no meu coração sempre e nunca vou deixar de levar, pois você é uma parte intrínseca de mim. Tudo que você batalhou para conquistar e todo esforço não foi em vão, pois saiba que você tem uma netinha que aprecia e admira muito isso. Você é uma das minhas maiores inspirações.”
Amar você foi natural. E vai continuar sendo, pra sempre.
Meu fiel amigo.
Minha inspiração.
O que me ensinou sobre resistência.
O que me deu asas para eu seguir meus sonhos, sempre com um sorriso no rosto e acreditando piamente em mim e em meu potencial.
Você sempre vai estar em tudo que eu faço, afinal, não tem eu sem você.
Sua falta vai deixar buracos em todos, mas as memórias sempre virão para nos preencher novamente. Prometo tentar te honrar e te dar muito orgulho ainda.
Te amarei eternamente, Vovô Old.
Até breve, meu camarada!
De sua querida netinha,
Betina Purpurina Piscina Cristalina

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Que honrada e tocante homenagem.
Betina querida,que prazer e alegria ler e te ouvir. Lindas lembranças de seu avô. Ficarão sempre em suas lembranças, são eternas.Bjo minha querida.