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Política

'Se tiver de dar soco na mesa, é antes das eleições', disse general Heleno, em 2022

A declaração consta em uma transcrição de um vídeo obtido pela Polícia Federal

Heleno | Na declaração, Heleno destaca que chegaria a um momento em que o governo não poderia 'mais falar'. O militar defendia uma reação 'contra determinadas instituições' | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na declaração, Heleno destaca que chegaria a um momento em que o governo não poderia 'mais falar'. O militar defendia uma reação 'contra determinadas instituições' | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O então ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, afirmou em uma reunião com a presença do ex-presidente Bolsonaro (PL) que, se o governo “tivesse de fazer algo”, seria “antes das eleições”. A declaração consta em uma transcrição de um vídeo obtido pela Polícia Federal (PF). 

Na declaração, Heleno destaca que chegaria um momento em que o governo não poderia “mais falar”. O militar defendia uma reação “contra determinadas instituições”.

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“Não vai ter revisão do VAR”, disse Heleno, na reunião de 2022. “Então, o que tiver de ser feito, tem de ser feito antes das eleições. Se tiver de dar soco na mesa, é antes das eleições. Se tiver de virar a mesa, é antes das eleições.”

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De acordo com o documento da PF, a declaração do então chefe do GSI “evidencia a necessidade de os órgãos de Estado vinculados ao governo federal atuarem para assegurar a vitória do então presidente, Jair Bolsonaro. 

“Vai chegar um ponto que não vamos poder mais falar”, disse Heleno. “Vamos ter de agir. Agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas. Isso para mim é muito claro.”

O general Heleno é um dos alvos da Operação Tempus Veritatis, deflagrada nesta quinta-feira, 8. A ação também investiga o ex-presidente Bolsonaro, o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, e aliados.

Operação da Polícia Federal mira Bolsonaro

Polícia Federal
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) | Foto: Reprodução/Twitter/X/@policiafederal

Na operação, a PF busca apurar suspeitas de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. Ex-assessores de Bolsonaro e ex-ministros de Estado do seu governo também foram alvos.

Os mandados contra Bolsonaro e seus aliados foram expedidos no âmbito do inquérito sobre milícias digitais, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Medidas restritivas foram impostas ao ex-presidente, incluindo a proibição de deixar o país, a entrega do passaporte em 24 horas e a restrição de comunicação com os demais investigados, inclusive por meio de advogados. De acordo com o advogado de Bolsonaro, Fabio Wajngarten, o passaporte já foi entregue. 

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No total, estão sendo cumpridos 33 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva e 48 medidas cautelares diversas da prisão. Essas medidas incluem a proibição de contato com outros investigados, a proibição de sair do país com entrega dos passaportes em 24 horas e a suspensão do exercício de funções públicas.

A operação envolve ex-ministros do governo de Jair Bolsonaro, como Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa; Augusto Heleno, ex-ministro de Segurança Institucional; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública. O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto também é um dos alvos.

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Já entre os quatro alvos dos mandados de prisão estão Rafael Martins de Oliveira, Filipe Garcia Martins e Marcelo Costa Câmara.

Segundo a PF, a operação tem como objetivo “apurar organização criminosa que atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder”.

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