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Política

Se a direita entender o jogo, dificilmente perderá as eleições

Para além das urnas, a disputa política se decide na cultura, na economia e na capacidade de formar maiorias duradouras

O senador Flávio Bolsonaro participou de um evento do grupo empresarial Lide, no Hotel Fairmont, em Copacabana, na zona sul do Rio - 19/3/2026 | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo
O senador Flávio Bolsonaro participou de um evento do grupo empresarial Lide, no Hotel Fairmont, em Copacabana, na zona sul do Rio - 19/3/2026 | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

A direita tem de ser diferente neste ano se quiser, mais do que ganhar uma ou duas eleições esporádicas — seja na composição de maioria nas Câmaras ou no Poder Executivo —, manter-se à frente de um projeto de país. Atualmente, no Brasil e no mundo, a política segue a esteira do “imediatismo simbólico”, isto é, ela é praticada na contenção e no apaziguamento ideológicos de expectativas eleitoreiras. Direita e esquerda se configuram para agradar eleitorados, e não para deixarem legados duradouros. E, na política e na história democrática, como se faz algo duradouro?

  • No resguardo de determinados valores morais;
  • Na influência sobre a cultura e o debate em torno de princípios fundamentais de política, economia e segurança; e
  • Na capacidade de angariar apreço popular para estabelecer reformas e manter a representatividade política.

Sem coragem de moldar a cultura para um panorama histórico efetivo — não meramente retórico — de defesa inteligente de valores fundamentais, o pragmatismo político se torna onipresente e ineficaz em governos transitórios. A cultura, é bem verdade, não é feita por políticos — pelo menos não deveria ser —, mas pelo conjunto do senso comum, da religião e do debate público. Assim é no Ocidente, que aprendeu a respeitar o tripé que o tornou o modelo de vida em sociedade mais livre e bem-sucedido já construído. Mas, se é verdade que políticos não devem ser engenheiros sociais, também é verdade que deveriam ser promotores naturais dessa mesma civilização ordeira e livre da qual são herdeiros.

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Sei que parece tudo muito etéreo, mas pensemos politicamente: hoje há um claro desalinho entre a cultura fabricada em universidades e centros partidários e aquilo que naturalmente a população brasileira acredita e ensina a seus filhos. O identitarismo está em decadência real e, ao que tudo indica, sobrevive mais pelo ímpeto militante do que por uma crença enraizada na sociedade. O progressismo, nesse sentido, não se apresenta como expressão histórica do senso comum ocidental, mas como uma adaptação ideológica de matrizes marxistas aplicada por ambientes acadêmicos.

Desse modo, a principal plataforma — e também o ponto fraco — sobre o qual conservadores podem atuar é a cultura, seguida da economia. A direita só alcançará primazia política duradoura se conquistar também a primazia cultural e econômica, sobretudo em um cenário em que a esquerda perde gradualmente sua base social orgânica e se sustenta, em grande medida, por estruturas institucionais.

Esse desalinhamento entre discurso acadêmico e percepção popular tem sido, inclusive, um trunfo político em diferentes países. O indivíduo comum tende a olhar com desconfiança para certas pautas progressistas, especialmente quando elas se distanciam da experiência concreta da vida cotidiana. A cultura, portanto, torna-se um campo fértil para o debate político, sobretudo porque, mesmo em tempos de relativização dos fatos, ainda há forte apego à experiência direta e à realidade material.

Se os conservadores compreenderem que dispõem de uma base social relevante para a defesa de valores ocidentais, poderão não apenas conquistar mandatos, mas sustentá-los ao longo do tempo. Caso consigam equilibrar as contas públicas, aliviar a carga tributária e, simultaneamente, apresentar um discurso claro, coerente e acompanhado de ações efetivas, a tendência é de consolidação de apoio popular.

Historicamente, lideranças políticas ascendem quando conseguem representar o imaginário e as demandas de parcelas significativas da população. No entanto, quando há desconexão entre discurso e realidade percebida, essa representatividade tende a se enfraquecer. Mudanças econômicas, transformações no mercado de trabalho e frustrações com promessas não cumpridas influenciam diretamente esse processo.

Nesse contexto, observa-se uma reconfiguração do cenário político: enquanto determinados grupos mantêm influência em espaços institucionais e de comunicação, o senso comum — alimentado por experiências práticas, valores culturais e tradições — segue como um elemento decisivo na formação de opinião.

Em síntese, caso atue de forma estratégica e evite fragmentações internas, a direita pode ampliar sua influência no campo cultural e, consequentemente, no político. A construção de um projeto de longo prazo passa menos por respostas imediatistas e mais pela capacidade de articulação, coerência e conexão com a realidade social.

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2 comentários
  1. ELIAS
    ELIAS

    Acho correta e sintonizada com o sentimento predominante a análise exposta nesse artigo.
    Mas, para ganhar eleições no Brasil, há que se superar um obstáculo nada desprezível representado pelas inauditáveis urnas eletrônicas.

  2. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    NAÕ EXISTE ESSA IPÓTESE …É F 22 NA CABEÇA E DE PREFERÊNCIA NO PRIMEIRO TURNO !
    CHEGA DE ENGANAÇÃO E SOFRIMENTO !
    SEM FALAR EM ROBALHEIRA , PUTARIA E CORRUPÇÃO….

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