A direita tem de ser diferente neste ano se quiser, mais do que ganhar uma ou duas eleições esporádicas — seja na composição de maioria nas Câmaras ou no Poder Executivo —, manter-se à frente de um projeto de país. Atualmente, no Brasil e no mundo, a política segue a esteira do “imediatismo simbólico”, isto é, ela é praticada na contenção e no apaziguamento ideológicos de expectativas eleitoreiras. Direita e esquerda se configuram para agradar eleitorados, e não para deixarem legados duradouros. E, na política e na história democrática, como se faz algo duradouro?
- No resguardo de determinados valores morais;
- Na influência sobre a cultura e o debate em torno de princípios fundamentais de política, economia e segurança; e
- Na capacidade de angariar apreço popular para estabelecer reformas e manter a representatividade política.
Sem coragem de moldar a cultura para um panorama histórico efetivo — não meramente retórico — de defesa inteligente de valores fundamentais, o pragmatismo político se torna onipresente e ineficaz em governos transitórios. A cultura, é bem verdade, não é feita por políticos — pelo menos não deveria ser —, mas pelo conjunto do senso comum, da religião e do debate público. Assim é no Ocidente, que aprendeu a respeitar o tripé que o tornou o modelo de vida em sociedade mais livre e bem-sucedido já construído. Mas, se é verdade que políticos não devem ser engenheiros sociais, também é verdade que deveriam ser promotores naturais dessa mesma civilização ordeira e livre da qual são herdeiros.
Receba nossas atualizações
+ Entenda o que é Política
Sei que parece tudo muito etéreo, mas pensemos politicamente: hoje há um claro desalinho entre a cultura fabricada em universidades e centros partidários e aquilo que naturalmente a população brasileira acredita e ensina a seus filhos. O identitarismo está em decadência real e, ao que tudo indica, sobrevive mais pelo ímpeto militante do que por uma crença enraizada na sociedade. O progressismo, nesse sentido, não se apresenta como expressão histórica do senso comum ocidental, mas como uma adaptação ideológica de matrizes marxistas aplicada por ambientes acadêmicos.
Desse modo, a principal plataforma — e também o ponto fraco — sobre o qual conservadores podem atuar é a cultura, seguida da economia. A direita só alcançará primazia política duradoura se conquistar também a primazia cultural e econômica, sobretudo em um cenário em que a esquerda perde gradualmente sua base social orgânica e se sustenta, em grande medida, por estruturas institucionais.
Esse desalinhamento entre discurso acadêmico e percepção popular tem sido, inclusive, um trunfo político em diferentes países. O indivíduo comum tende a olhar com desconfiança para certas pautas progressistas, especialmente quando elas se distanciam da experiência concreta da vida cotidiana. A cultura, portanto, torna-se um campo fértil para o debate político, sobretudo porque, mesmo em tempos de relativização dos fatos, ainda há forte apego à experiência direta e à realidade material.
Se os conservadores compreenderem que dispõem de uma base social relevante para a defesa de valores ocidentais, poderão não apenas conquistar mandatos, mas sustentá-los ao longo do tempo. Caso consigam equilibrar as contas públicas, aliviar a carga tributária e, simultaneamente, apresentar um discurso claro, coerente e acompanhado de ações efetivas, a tendência é de consolidação de apoio popular.
Historicamente, lideranças políticas ascendem quando conseguem representar o imaginário e as demandas de parcelas significativas da população. No entanto, quando há desconexão entre discurso e realidade percebida, essa representatividade tende a se enfraquecer. Mudanças econômicas, transformações no mercado de trabalho e frustrações com promessas não cumpridas influenciam diretamente esse processo.
Nesse contexto, observa-se uma reconfiguração do cenário político: enquanto determinados grupos mantêm influência em espaços institucionais e de comunicação, o senso comum — alimentado por experiências práticas, valores culturais e tradições — segue como um elemento decisivo na formação de opinião.
Em síntese, caso atue de forma estratégica e evite fragmentações internas, a direita pode ampliar sua influência no campo cultural e, consequentemente, no político. A construção de um projeto de longo prazo passa menos por respostas imediatistas e mais pela capacidade de articulação, coerência e conexão com a realidade social.






































Acho correta e sintonizada com o sentimento predominante a análise exposta nesse artigo.
Mas, para ganhar eleições no Brasil, há que se superar um obstáculo nada desprezível representado pelas inauditáveis urnas eletrônicas.
NAÕ EXISTE ESSA IPÓTESE …É F 22 NA CABEÇA E DE PREFERÊNCIA NO PRIMEIRO TURNO !
CHEGA DE ENGANAÇÃO E SOFRIMENTO !
SEM FALAR EM ROBALHEIRA , PUTARIA E CORRUPÇÃO….