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Política

Rogério Marinho leva ao TCU suspeita de 'pedalada fiscal' de Lula

Senador aponta possível bloqueio de pagamentos para melhorar artificialmente as contas de 2025

Marinho afirmou que conduta do magistrado compromete a imparcialidade da Justiça do Trabalho | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Líder da oposição defende ainda a aplicação de sanções aos responsáveis | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN), protocolou, nesta sexta-feira, 8, uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suposta retenção de despesas do seguro-defeso no fim de 2025.

O parlamentar afirma que o governo pode ter atrasado os pagamentos para reduzir artificialmente o impacto das despesas obrigatórias sobre o resultado primário da União em 2025.

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Na ação, Marinho afirma que informações das Séries Históricas do Resultado do Tesouro Nacional (RTN) revelam movimentação atípica nas despesas do benefício entre setembro e dezembro do ano passado.

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De acordo com o documento, o período registrou despesa líquida negativa de R$ 6,61 milhões, cenário que, segundo o senador, destoa completamente dos anos anteriores, quando os desembolsos alcançaram R$ 1,2 bilhão em 2023 e R$ 675 milhões em 2024.

Para a oposição, os dados sugerem que não houve concessão de novos benefícios no intervalo analisado, mas apenas registros de estornos ou devoluções.

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A nova diretriz prevê uma fiscalização célere, limitada a informações que não estejam protegidas por sigilo legal | Foto: Divulgação/TCU

Mudança na gestão do benefício no governo Lula

O documento também questiona a justificativa apresentada pelo governo para a interrupção dos pagamentos, relacionada à transferência da gestão do benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Segundo Marinho, o governo interrompeu os pagamentos em setembro, mas só editou a Medida Provisória (MP) nº 1.323, de 2025, que formalizou a mudança administrativa, em novembro.

Na avaliação do senador, a sequência cronológica enfraquece a justificativa oficial e levanta suspeitas de que o repasse tenha ocorrido de forma deliberada. A peça também afirma que o texto de conversão da MP autorizou que benefícios referentes a 2025 fossem pagos apenas em 2026, fora dos limites fiscais originalmente previstos.

Além da abertura de investigação, Marinho pede que o TCU determine auditoria operacional e financeira emergencial na Secretaria do Tesouro Nacional (STN), no MTE e no INSS. O senador também solicita uma medida cautelar para assegurar o pagamento de mais de 175 mil requerimentos já aptos à liberação.

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A representação também cobra a apresentação de um cronograma público para quitar o passivo estimado em R$ 1,2 bilhão e requer esclarecimentos sobre uma divergência de R$ 780 milhões entre os dados do Tesouro Nacional e os registros do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop).

No pedido encaminhado à Corte de Contas, o líder da oposição defende ainda a aplicação de sanções aos responsáveis caso fique comprovada a retenção proposital de despesas obrigatórias para melhorar o desempenho fiscal do governo. Entre as penalidades citadas estão multas e outras medidas previstas na legislação.

“Considerando todos os elementos apontados, é imperioso que esse Tribunal de Contas da União apure as eventuais irregularidades no seguro-defeso, bem como a própria legalidade e moralidade da situação”, alegou o senador.

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