publicidade
Política

Lula sanciona reforma tributária com mudanças no imposto sobre herança

Projeto estabeleceu valores progressivos para o ITCMD; transição ocorre a partir deste ano

Lula abraça Haddad durante sanção da reforma tributária | Foto: Diogo Zacarias/MF
Lula abraça Haddad durante sanção da reforma tributária | Foto: Diogo Zacarias/MF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira, 13, a última etapa de regulamentação da reforma tributária do consumo, com a sanção do Projeto de Lei Complementar nº 108/2024. A lei será publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira e integra o conjunto de normas que detalham o novo sistema de tributação sobre bens e serviços no país.

A nova lei cria de forma definitiva o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), órgão responsável por administrar e coordenar o novo tributo que será compartilhado entre Estados e municípios. O texto também trata do contencioso administrativo do IBS, o conjunto de regras para resolver disputas entre contribuintes e o poder público, além de estabelecer critérios para a distribuição da arrecadação entre os entes federativos.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

O projeto foi enviado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional em junho de 2024 e aprovado em dezembro do mesmo ano. A proposta regulamenta aspectos centrais do IBS, que substituirá tanto o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de competência estadual, quanto o Imposto Sobre Serviços (ISS), de competência municipal.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a reforma “muda muito significativamente a vida dos brasileiros em geral e de quem empreende, em particular”. Segundo ele, “dezenas e dezenas de pessoas hoje estão envolvidas em tarefas burocráticas que não agregam produtividade” e acrescentou que o objetivo é permitir que essas atividades sejam reduzidas com o novo modelo.

Leia mais:

Entenda a reforma tributária

A reforma tributária do consumo unifica cinco tributos atualmente existentes, PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS, em dois novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e o IBS, estadual e municipal. Juntos, eles formam um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, que será cobrado de forma não cumulativa e no local de consumo.

O texto aprovado também define que o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), cobrado sobre heranças e doações, deverá ser progressivo. As alíquotas serão fixadas pelos Estados, respeitando um teto a ser definido pelo Senado Federal.

Outro ponto previsto é a alteração de trechos da Lei Complementar nº 214/2025, aprovada em janeiro de 2025. Entre as mudanças, está a ampliação da alíquota zero para medicamentos incluídos em determinadas linhas de cuidado, como tratamentos oncológicos.

Sede da Receita Federal em Brasília: mais controle e cobrança de impostos | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil grupo fit
Sede da Receita Federal em Brasília | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Período de adaptação ocorre até 2032

A implementação do novo sistema tributário será gradual. O ano de 2026 será considerado um período de testes, sem aplicação de penalidades. Nesse intervalo, as empresas poderão adaptar seus sistemas e documentos fiscais às novas regras.

Depois desse período, empresas de maior porte deverão informar nas notas fiscais as alíquotas-teste da CBS, de 0,9%, e do IBS, de 0,1%. Esses porcentuais terão caráter apenas informativo e não gerarão recolhimento de tributos, segundo o governo, que afirma que a medida serve para testar sistemas e processos e subsidiar a definição das alíquotas definitivas.

Para os consumidores, não há impacto nos preços nessa fase, já que os valores constarão nas notas apenas como informação. Empresas optantes pelo Simples Nacional e microempreendedores individuais estão dispensados dessa obrigação inicial. A transição completa está prevista para ocorrer até 2032, com vigência plena do sistema a partir de 2033.

Apesar do discurso oficial de neutralidade da carga tributária, representantes do setor de serviços questionam os efeitos da reforma. Em artigo publicado em Oeste, a presidente da Federação Nacional de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e Informática, Vivien Mello Suruagy, escreveu que a reforma “representa o risco real de aumentar consideravelmente a tributação dos serviços”, segmento que concentra a maior parte dos empregos formais do país.

Leia também: “A esquerda está nua”, artigo de J. R. Guzzo publicado na Edição 272 da Revista Oeste

2 comentários
  1. André Luiz Cumplido de Sant'Anna
    André Luiz Cumplido de Sant'Anna

    A nova lei tributária como todas as anteriores com exceção de algumas sustentadas por algum tipo de justiça. virá para penalizar a sociedade como um todo. A economia brasileira está nas mãos de uma burocracia perversa onde se destaca a quantidade jamais vista de funcionários públicos a serviço não necessariamente da sociedade, mas visivelmente, empregada pelo governo que cria vagas para uma casta que não não cessa de crescer cujo único benefício é o benefício político para os detentores dos governos nas esferas municipal, estadual e federal . Os resultados decorrentes desse empreguismo que não para de crescer desaguam nas sucessivas reformas tributárias que buscam encontrar recursos financeiros para bancar os escandalosos gastos com a máquina estatal calamitosamente comprometida por folhas vergonhosas de pagamentos a seus funcionários. O funcionário público bem formada e capaz é uma necessidade, porém a maior parte reflete as vantagens que nossos políticos buscam auferir pelas nomeações que conquistam para seus apadrinhados e que lá na frente as beneficiam em termos de suas vidas particulares.

  2. paulo jose do nascimento filho
    paulo jose do nascimento filho

    PTC & Associados. Pode ser partido dos Trabalhadores na Corrupção ou, um escritório de advocacia especializado
    Em cortes superiores

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.