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Política

Governo suspende emissão de vistos para trabalhadores chineses da BYD

Montadora está sendo investigada por denúncias de escravidão

Acusação contra a BYD destaca situações que envolvem principalmente operários chineses contratados por empresas terceirizadas | Foto: Reprodução/Twitter/X
Acusação contra a BYD destaca situações que envolvem principalmente operários chineses contratados por empresas terceirizadas | Foto: Reprodução/Twitter/X

O governo brasileiro suspendeu a emissão de novos vistos para trabalhadores chineses da BYD, envolvidos na construção de uma fábrica em Camaçari, Bahia.

A medida foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, que enviou instruções aos postos brasileiros na China no dia 20. A suspensão está em vigor enquanto se apuram as alegações de condições de trabalho análogas à da escravidão na obra.

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Em resposta, a BYD afirmou não tolerar “desrespeito à lei brasileira e à dignidade humana” e encerrou imediatamente o contrato com a empreiteira responsável pela construção da fábrica.

A empresa também transferiu os trabalhadores resgatados para hotéis da região. Os vistos afetados são do tipo Vitem V, destinados a estrangeiros com qualificações ou experiências compatíveis com as atividades no Brasil.

Análise de documentação

O Ministério da Justiça e Segurança Pública está analisando a documentação e a concessão desses vistos de trabalho.

A pasta colabora com o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho para monitorar as fiscalizações. Caso as investigações confirmem violações da legislação migratória, as autorizações de residência concedidas poderão ser canceladas, conforme a legislação brasileira.

A fiscalização encontrou 107 passaportes sob posse do empregador, prática ilegal no Brasil | Foto: Divulgação/Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)
Nos alojamentos, havia 31 trabalhadores dividindo um único vaso sanitário | Foto: Divulgação/Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)
Nos alojamentos, havia 31 trabalhadores dividindo um único vaso sanitário | Foto: Divulgação/Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)
Dos cinco alojamentos vistoriados, apenas um oferecia condições adequadas e era destinado à equipe administrativa | Foto: Reprodução/Redes sociais
Dos cinco alojamentos vistoriados, apenas um oferecia condições adequadas e era destinado à equipe administrativa | Foto: Reprodução/Redes sociais
Não havia armários no local, e os alimentos ficavam misturados com roupas, criando condições insalubres | Foto: Reprodução/Redes sociais
Não havia armários no local, e os alimentos ficavam misturados com roupas, criando condições insalubres | Foto: Reprodução/Redes sociais

Enquanto isso, as análises sobre as emissões de autorizações de residência continuam, com o Ministério da Justiça acompanhando a situação de perto. A decisão de suspender novos vistos visa a assegurar que todas as medidas legais sejam respeitadas.

Escravidão: antes de escândalo em fábrica da BYD, governador petista elogiou o cuidado da empresa com os trabalhadores

Em 9 de outubro de 2023, durante a cerimônia de inauguração da pedra fundamental da fábrica da BYD na Bahia, o governador do Estado, Jerônimo Rodrigues (PT), elogiou o cuidado da empresa chinesa “com a classe trabalhadora”. Pouco mais de um ano depois, na última segunda-feira, 23, quase 200 operários foram resgatados em condições análogas à escravidão na mesma fábrica.

“Estive na China e conheci a preocupação da BYD no trato com seus trabalhadores, no trato com o meio ambiente”, disse o governador petista, na ocasião.

Na operação de resgate, os policiais verificaram que havia 31 trabalhadores dividindo um único vaso sanitário. Muitos dormiam sem colchões ou com colchões finos. Não havia armários, e os alimentos ficavam misturados com roupas, criando condições insalubres.

Dos cinco alojamentos vistoriados, apenas um oferecia condições adequadas e era destinado à equipe administrativa. Os demais apresentavam situações degradantes. Cozinhas eram sujas, com comida armazenada em caixas térmicas inadequadas. Não havia espaços para descanso, e os banheiros químicos eram insuficientes para o número de trabalhadores.

Tanto a BYD quanto sua prestadora de serviços, Jinjiang, foram responsabilizadas e notificadas pelos auditores fiscais do trabalho na manhã da segunda-feira.

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2 comentários
  1. Marcos Antônio de Carvalho
    Marcos Antônio de Carvalho

    Mas isso é da índole petista: entregar o país às economias comandadas por ditadores. Não dá pra perceber que hoje o colonialismo não é mais americano, mas chinês e russo? No Brasil do consórcio do mal os chineses avançam sem cerimônia em todos os campos: econômicos, educacionais (nossas crianças brincam com brinquedos chineses), telecomunicações etc.

  2. Sandra Maria Ferreira Cavalieri D'Oro
    Sandra Maria Ferreira Cavalieri D'Oro

    Teriam que dar trabalho aos brasileiros e não importar operários chineses. No máximo alguns coordenadores e e mestres de obra. Vergonhoso!

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