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Política

EUA pressionam bancos brasileiros a cumprirem sanções contra Moraes

Governo norte-americano notifica o setor financeiro do Brasil e exige que medidas sejam tomadas, sob a ameaça de multas

Moraes
Depois de quatro meses em centros de detenção norte-americanos, os agentes deportaram a catarinense em 24 de maio | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos elevou a pressão sobre o sistema financeiro brasileiro. Em um comunicado oficial, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) questionou diretamente os bancos do país sobre as medidas que estão adotando para garantir o cumprimento das sanções impostas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A notificação representa um passo significativo na fiscalização da Lei Magnitsky, um poderoso instrumento da política externa norte-americana. O governo dos EUA aplicou esta lei contra Moraes em julho, acusando-o de violações de direitos humanos, como a supressão de críticos políticos e a ordenação de detenções consideradas injustas.

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Como resultado, a Ofac incluiu o magistrado em sua lista de indivíduos sancionados. Na prática, a determinação congela quaisquer ativos que ele possua nos EUA. Além disso, proíbe transações financeiras com entidades norte-americanas.

Para as instituições financeiras no Brasil que possuem operações nos EUA, a comunicação do Tesouro serve como uma advertência. A agência quer saber quais ações concretas os bancos tomaram para isolar Moraes de operações que envolvam o sistema financeiro dos EUA. Isso, por exemplo, inclui o uso de cartões de crédito de bandeiras como Visa e Mastercard.

O não cumprimento pode acarretar consequências severas. O governo norte-americano pode aplicar sanções secundárias, que incluem multas pesadas contra os bancos. Além disso, a análise de um eventual descumprimento pode levar a punições individuais contra os executivos responsáveis nas instituições.

Sanções dos EUA podem se expandir para outras autoridades brasileiras

A ofensiva do Tesouro ganha contornos políticos ao coincidir com o início do julgamento de Jair Bolsonaro no STF. Aliados do ex-presidente, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo, intensificaram as articulações em Washington.

Recentemente, eles se reuniram com o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Na ocasião, argumentaram que os bancos brasileiros não estariam aplicando as sanções na sua totalidade.

Indícios mostram que a pressão já gerou efeitos práticos. Pelo menos uma instituição financeira brasileira bloqueou um cartão de Moraes e, como alternativa para uso doméstico, ofereceu-lhe um da bandeira nacional Elo.

Desta forma, o cenário indica uma possível escalada. Fontes ligadas a Bolsonaro esperam que novas autoridades, tanto do Judiciário quanto do Executivo, entrem no radar de Washington.

As discussões nos EUA já ventilam a possibilidade de ampliar restrições de vistos e aplicar mais sanções financeiras. Além disso, cogita-se a suspensão de benefícios comerciais concedidos ao Brasil, afetando tarifas de importação de produtos brasileiros.

+ Leia também: “Deputado diz que contrato da AGU nos EUA levanta suspeitas de possível lobby

Atualmente, o governo norte-americano já suspendeu o visto de entrada para Moraes e outros sete ministros do STF, além do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet.

Em uma ação de aparente retaliação a políticas do governo federal, os EUA também cancelaram os vistos da esposa e da filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

2 comentários
  1. Denis R.
    Denis R.

    Caso não cumpram a lei quero ver o que os bancos dirão aos seus acionistas/correntistas quando multas bilionárias vierem.

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