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Rubio manda deportar família ligada à invasão da Embaixada dos EUA em 1979

Caso envolve beneficiários de políticas migratórias da era Obama

O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, prestes a se encontrar com o ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters - 7/4/2026 | Foto: Aaron Schwartz/Reuters
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, prestes a se encontrar com o ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters - 7/4/2026 | Foto: Aaron Schwartz/Reuters

A declaração divulgada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reabriu uma das feridas mais simbólicas da política externa norte-americana: a memória da Crise dos Reféns no Irã e o debate contemporâneo sobre imigração, segurança nacional e heranças diplomáticas entre administrações.

Masoumeh Ebtekar, conhecida à época como “Screaming Mary”, foi uma das estudantes iranianas que participaram da ocupação da embaixada norte-americana em Teerã, em novembro de 1979. O episódio marcou o começo de uma crise diplomática profunda entre EUA e Irã, com 52 diplomatas e cidadãos norte-americanos mantidos reféns por 444 dias.

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Durante o cativeiro, relatos de ex-reféns indicam condições severas, incluindo isolamento prolongado, ameaças psicológicas e simulações de execução, elementos estes que moldaram a percepção norte-americana sobre o regime iraniano nas décadas seguintes.

Ebtekar, que posteriormente se tornou uma figura política no Irã — chegando a ocupar cargos de destaque em governos reformistas —, sempre sustentou uma narrativa distinta, afirmando que os reféns foram tratados com “respeito islâmico”, o que é contestado por sobreviventes.

Segundo Rubio, a atual administração decidiu revogar o status migratório de familiares de Ebtekar, especificamente Seyed Eissa Hashemi, Maryam Tahmasebi e seu filho, que haviam obtido residência permanente legal nos EUA após concessões feitas durante o governo de Barack Obama, incluindo entrada via programa de diversidade de vistos. Os três estariam agora sob custódia do ICE, aguardando deportação.

A medida foi apresentada como um “ato de correção histórica”, reforçando a linha dura da atual política migratória e de segurança nacional, associada ao governo de Donald Trump.

Entre justiça histórica e instrumentalização política

A decisão, no entanto, abre um campo sensível de debate. Especialistas em Direito Migratório argumentam que a revogação de residência permanente exige base legal robusta, especialmente quando não há acusação direta contra os indivíduos afetados.

Críticos argumentam que a medida pode representar uma forma de responsabilização indireta, ou até coletiva, baseada em vínculos familiares, o que levanta questionamentos sobre devido processo legal e princípios constitucionais.

Por outro lado, defensores da decisão sustentam que casos ligados a eventos como a crise de 1979 possuem dimensão simbólica e estratégica, sendo legítimo ao Estado reavaliar concessões migratórias quando envolvem figuras associadas a episódios considerados hostis aos EUA.

O pano de fundo: Ormuz, Irã e o tabuleiro global

Embora tenha forte carga histórica, o caso também se insere em um contexto geopolítico atual mais amplo. O Irã segue no centro de tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, vital para o fluxo global de petróleo, e em disputas indiretas com Washington em múltiplas frentes — do programa nuclear às alianças regionais.

Assim, medidas simbólicas como essa dialogam não apenas com o passado, mas com a estratégia contemporânea de pressão política e narrativa.

A revogação do status migratório da família ligada a Masoumeh Ebtekar transcende o campo administrativo. Trata-se de um gesto carregado de significado histórico, político e ideológico, e que reabre memórias da crise de 1979 e reforça a polarização sobre imigração e segurança nacional nos Estados Unidos.

“A América nunca pode se tornar lar para terroristas antiamericanos ou suas famílias — e sob a administração Trump, isso nunca acontecerá”, disse Marco Rubio.

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Paulo Faria é advogado e correspondente internacional de Oeste nos Estados Unidos

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1 comentário
  1. fabio de souza arcas
    fabio de souza arcas

    Minha opinião Marco Rubio e administração Trump estão de parabéns.O Irã Vive para destruir o Ocidente então deveriam viver na América.

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